Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Varejo tem queda de 0,2% em janeiro com recuo nas vendas de supermercados

Segmento é o de maior peso no comércio varejista; das oito atividades analisadas pelo IBGE, cinco tiveram resultado negativo

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2021 | 10h27

RIO - O varejo confirmou a perda de fôlego no início de 2021, afetado pelo recrudescimento da pandemia de covid-19, aliada ao fim do pagamento do auxílio emergencial e aos aumentos acumulados nos preços dos alimentos nos últimos meses. As vendas recuaram 0,2% em relação ao mês anterior, após perdas também em dezembro (-6,2%) e novembro (-0,1%), de acordo com a Pesquisa Mensal de Comércio, divulgada nesta sexta-feira, 12, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No varejo ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção, o volume vendido encolheu 2,1% em janeiro ante o mês anterior, depois de já ter diminuído 3,1% em dezembro. 

“Por mais que as vendas online tenham avançado significativamente desde o início da pandemia, o setor ainda depende primordialmente das vendas presenciais. Portanto, o combate errático à crise sanitária tende a prolongar os níveis atuais de isolamento social”, previu o economista Fabio Bentes, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), no relatório em que reduziu de 3,5% para 3,1% a expectativa de aumento no volume de vendas do varejo em2021.

Na passagem de dezembro para janeiro, cinco das oito atividades que integram o varejo registraram recuo nas vendas: livros e papelaria, vestuário e calçados, móveis e eletrodomésticos, supermercados e combustíveis. 

Após meses de recordes de vendas, as perdas recentes fizeram o volume vendido em janeiro ficar 0,4% abaixo do nível de fevereiro de 2020, no pré-pandemia. No varejo ampliado, as vendas operam 2,1% abaixo do pré-pandemia.

Em janeiro, 9,1% das empresas varejistas que integraram a pesquisa relataram que o isolamento social afetou a receita no mês. Em dezembro, essa proporção de empresas com queixas era de apenas 3,5%. A fatia de empresas afetadas vinha se reduzindo gradualmente desde maio do ano passado.

Em janeiro, as restrições ao funcionamento de atividades e à circulação de pessoas para conter a disseminação do coronavírus foram sentidas no varejo especialmente nos Estados do Amazonas e São Paulo, afetando, sobretudo, o desempenho dos segmentos de vestuário, combustíveis e móveis e eletrodomésticos.

 

“No Amazonas foi bastante forte, e foi muito parecido com o que foi adotado no início da pandemia, mas algumas daquelas (atividades) consideradas essenciais acabam ficando abertas. Eu não tenho exatamente quais restrições foram adotadas em São Paulo, mas houve restrições. Elas acabaram por impactar essas atividades”, apontou Cristiano Santos, gerente da pesquisa do IBGE.

O fim do pagamento do auxílio emergencial à população mais vulnerável e a inflação de alimentos tiveram reflexos negativos principalmente sobre a atividade de supermercados, que vendeu 1,6% menos em janeiro ante dezembro.

“Como ele (auxílio emergencial) tinha um foco de um efeito maior nas famílias de baixa renda, ele também acabava se concentrando um pouco mais em atividades que têm consumo mais instantâneo, como supermercados, mas foi um fenômeno que acabou também sendo refletido em material de construção, que tem uma estabilidade (ligeira alta de 0,3%) após três quedas”, lembrou Santos.

Apesar da perspectiva de um novo auxílio emergencial a ser pago pelo governo, o varejo ainda pode ser afetado por novas medidas de isolamento e lockdown, alertou Santos.

“A gente não sabe o que pode ter. Os números mostram que, no final do ano, conforme foi diminuindo esse aporte médio (do auxílio) para as famílias, algumas atividades tiveram um comportamento similar (de desaceleração). Tem muitos outros fatores que podem influenciar nessa questão do varejo: vacina, abertura ou não de comércio, lockdown, que pode ou não acontecer”, enumerou Santos. 

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