Varejo vende 4,13% a menos e supera expectativas pessimistas

Após quatro meses consecutivos de alta, as vendas do comércio varejista caíram 4,13% em fevereiro deste ano na comparação com janeiro, na série com ajuste sazonal, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A queda surpreendeu as expectativas mais pessimistas do mercado financeiro, que trabalhava com previsões de -2,2% a +0,01%. Em relação a fevereiro de 2005, apesar de subirem 5,35%, as vendas também ficaram abaixo do esperado, que estava em torno de alta entre 6% e 9%, com mediana em 7,2%. Mesmo com o resultado abaixo do esperado, o economista da coordenação de serviços e comércio do IBGE, Reinaldo Pereira, disse que o desempenho negativo do comércio "não significa uma tendência". "Janeiro é que foi um resultado atípico, foi um resultado muito forte. A queda de fevereiro é pontual, não houve uma reversão na tendência de crescimento nas vendas do comércio", disse. Pereira ressaltou que permanecem, como influências positivas para o comércio, fatores como aumento da ocupação e da renda, ampla oferta de crédito e queda nas taxas de juros. "Temos que aguardar (os dados de) março, mas acreditamos que a queda nas vendas em fevereiro se deu por janeiro ter apresentado um resultado forte, atípico. Não há uma virada de tendência para um não crescimento, não é isso o que estamos enxergando", disse. No bimestre, a alta acumulada chega a 5,96%. VENDAS DO COMÉRCIO VAREJISTA Mês Ante mês anterior Ante igual mês do ano anterior Fevereiro/2005 2,50% -1,35% Março 7,72% 1,19% Abril 3,42% 0,23% Maio 2,67% 1,09% Junho 5,32% 1,04% Julho 4,49% 0,36% Agosto 6,81% -0,17% Setembro 5,35% -0,13% Outubro 3,72% 0,11% Novembro 4,93% 0,50% Dezembro 4,94% 1,26% Janeiro/2006 6,53% 4,12% Fevereiro 5,35% -4,13% Fonte: IBGE Fevereiro x janeiro Na comparação com janeiro, todas as cinco atividades pesquisadas apresentaram queda nas vendas. O principal impacto negativo foi dado pelo grupo de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo - que possui o maior peso na pesquisa - com perda de 2,44% no volume de vendas. Segundo Pereira, o resultado para esse segmento sofreu efeito da forte base de comparação do mês anterior, já que em janeiro as vendas desse grupo apresentaram forte crescimento - de 6,06% - ante mês anterior. No caso do grupo de tecidos, vestuário e calçados, que tiveram queda de 3,14%; o recuo ante janeiro foi provocado pelo término das promoções de queima de estoques do final do ano. Os aumentos de preços, por outro lado, continuaram provocando queda nas vendas de combustíveis e lubrificantes, que retraíram 1,92%; enquanto as férias permaneceram como impacto negativo para as vendas de veículos, motos, partes e peças, com diminuição de 0,66%. Fevereiro x fevereiro O mesmo fator inibidor do varejo na comparação com janeiro estimulou a alta na comparação com fevereiro de 2005. O grupo de hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo teve crescimento de 7,27% - o maior nessa base de comparação. Pereira disse que, nesta base de cálculo, o segmento foi beneficiado pelo aumento da renda e da ocupação e, ainda, pela ampliação do crédito aos clientes. Alta expressividade O Instituto de Desenvolvimento do Varejo (IDV) considerou como "muito expressiva" a queda nas vendas de fevereiro e previu um crescimento de pelo menos 5% em 2006. "Tanto quanto a magnitude da queda do setor em fevereiro, o caráter generalizado do recuo do comércio varejista deve ser cuidadosamente avaliado pelos condutores da política econômica", observaram os técnicos da instituição no relatório. Eles acrescentaram ainda que "a evolução do rendimento real da população está se dando em ritmo lento e as taxas finais do crédito, especialmente para o consumidor, não vem sequer acompanhando a redução que o governo vem promovendo na taxa básica de juros (Selic, atualmente em 16,5% ao ano). Daí o declínio do comércio". Apesar do recuo ante mês anterior, o IDV avalia que a perspectiva de evolução do varejo "é, basicamente, a permanência do padrão de desempenho que o setor teve em 2005, quando a evolução chegou a 4,8% (9,2% em 2004). Uma estimativa de evolução para 2006 entre 5% e 6% é condizente com os resultados dos últimos meses". Este texto foi atualizado às 15h43.

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