Varejo vive novo lance de hiperconcorrência

O consumidor está prestes a assistir a mais um lance da hiperconcorrência entre os gigantes do setor de supermercados na região oeste da cidade de São Paulo. Até o fim do ano, provavelmente em novembro, o Grupo Pão de Açúcar vai abrir um hipermercado Extra no entrocamento das avenidas Jaguaré, Corifeu de Azevedo Marques e Escola Politécnica, onde funcionava a pedreira do Grupo Votorantim. Há sete anos, essa mesma região oeste, na divisa com Osasco, com cerca de 400 mil habitantes e grande potencial de consumo de uma população com renda mensal de até R$ 4 mil, foi palco da emblemática disputa dos supermercados brasileiros. Na época, o Wal-Mart, o maior varejista do mundo, que acabava de fincar bandeira no Brasil, e o Carrefour, que era o maior grupo supermercadista do País, inauguraram juntos lojas vizinhas, separadas apenas por um muro, na Avenida dos Autonomistas, e iniciaram uma histórica disputa por preço baixo, que chegou até a envolver fornecedores. Exatamente do outro lado dessa via de trânsito rápido, os veteranos da região de Osasco, Pastorinho e Millos, este último posteriormente vendido para o Grupo Pão de Açúcar e hoje com a bandeira Barateiro, sentiram em seus balanços os efeitos da hiperconcorrência entre os gigantes. Agora é a vez do Grupo Pão de Açúcar, hoje líder do setor e que praticamente ficou fora do embate naquela época, reacender a disputa entre os hipermercados da região, com inauguração de uma loja de hipermercado com a bandeira Extra. Com cerca de 40 mil metros quadrados de área construída e investimentos de R$ 20 milhões, esse ponto-de-venda está localizado no bairro do Jaguaré, em São Paulo, três quilômetros e meio antes de chegar no campo de batalha de sete anos atrás, já no município de Osasco. "Este é um típico caso de interceptação da concorrência, estratégia muito usada por postos de gasolina", diz o professor da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo e sócio da consultoria de Estudos Empresariais de Geografia de Mercado, Tadeu Masano. O consultor da Mixxer Desenvolvimento Empresarial, Eugênio Foganholo, concorda com Masano. Foganholo observa que como Osasco é uma cidade-dormitório, com muitas pessoas trabalhando em São Paulo e retornando à noite para casa, a abertura de um hipermercado no caminho de volta, antes das lojas dos concorrentes, é uma saída inteligente para atrair o consumidor. O diretor de Investimentos e Novos Negócios do Grupo Pão de Açúcar, Caio Mattar, ressalta que a sua empresa sempre procura entrar numa região com superioridade na localização em relação aos concorrentes. Ele explica que a localização é o fator fundamental na abertura de uma loja. "Espero que o consumidor pare na nossa loja antes de chegar ao concorrente", diz o executivo, reafirmando a estratégia de interceptação do fluxo de consumidores. O terreno foi comprado há dois anos e, depois de vários estudos de mercado, Mattar diz que o grupo concluiu que a região comportaria mais um hipermercado. Além dos concorrentes Wal-Mart e Carrefour, o outro Extra, de Carapicuíba, está a sete quilômetros de distância da nova loja do Jaguaré. Mattar diz que a intenção é atrair os consumidores de alto poder aquisitivo dos bairros de Alto de Pinheiros e Butantã, além dos habitantes do Jaguaré, que somam 42,4 mil, e do Rio Pequeno, o bairro mais populoso da região, com 11,7 mil habitantes. Masano, que é especializado em mapeamento do potencial econômico das regiões para a localização de empresas, observa que as regiões periféricas ao grandes centros urbanos são muito interessantes porque têm área de influência maior e espaço para crescer, ao contrário do centro. Nos 27 bairros de São Paulo e Osasco que compõem essa região, o predomínio é de famílias de classe média, com renda mensal entre R$ 2 mil e R$ 4 mil, com vários pólos abastados, onde o rendimento mensal passa de R$ 4 mil.

Agencia Estado,

15 de setembro de 2002 | 09h10

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