DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO

Varejo volta a crescer após 14 meses de queda

Dados da primeira quinzena de junho mostram que as consultas para vendas a prazo aumentaram 2,1% na cidade de São Paulo em relação ao mesmo período de 2015, aponta a associação comercial

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

17 Junho 2016 | 12h45

Depois de catorze meses seguidos de queda, o movimento de vendas a prazo na cidade de São Paulo teve o primeiro resultado positivo este  mês. Essa pode ser uma pista de que o pior da crise ficou para trás.

 Entre os dias 1º e 15 de junho, o número de consultas para vendas parceladas foi 2,1% maior em relação a igual período do ano passado, segundo dados da Boa Vista Serviços, elaborados pelo Instituto de Economia Gastão Vidigal da Associação Comercial de São Paulo (IEGV/ACSP). Desde março de 2015 a série do indicador não acusava um resultado positivo.

Emílio Alfieri, economista da ACSP, pondera que há um dia a mais na primeira quinzena deste mês em relação ao mesmo período de 2015. Mas quando se avalia a média diária para atenuar essa possível distorção, os dados também são menos negativos. A média diária de consultas para venda a prazo na primeira quinzena deste mês é 5,7% menor em comparação com o mesmo período de junho de 2015. Só que a queda acumulada do indicador, com igual número de dias úteis, era de 8,6% entre janeiro e maio. Portanto, a retração observada em junho é menos intensa do que já foi nos cinco primeiros meses do ano.

Outro dado que reforça a tese de que estaria ocorrendo uma reação nas vendas aparece quando se avalia o desempenho do número de consultas para vendas a prazo na primeira quinzena de junho em comparação com maio. O avanço, levando-se em conta o mesmo número de dias úteis,  foi 10,4%. Já o acréscimo normalmente esperado para o período, o que os economistas chamam de sazonalidade, é de 0,08%.

Gatilho. “Parou de piorar”, afirma Alfieri. Ele argumenta que o frio intenso deste mês impulsionou as vendas de aquecedores, chuveiros elétricos, cobertores e outros itens que acabaram puxando o volume de negócios para cima. No entanto, ele acha que ainda é cedo para afirma que se trata de uma tendência, uma vez que outros indicadores da economia ainda estão muito ruins, como o desemprego e a inflação. “Esse resultado é uma fotografia, não um filme”, compara o economista, referindo-se à dificuldade de afirmar que se trata de uma tendência.

De toda forma o resultado de junho das vendas para a cidade de São Paulo confirma indicação de que a atividade pode ter atingido o fundo poço, conforme já foi apontado por outros indicadores divulgados. O IBC-br de abril, apurado pelo Banco Central e que é uma indicador que antecipa a desempenho do Produto Interno Bruto (PIB), registrou o primeiro resultado positivo depois de 15 meses de quedas consecutivas. A alta foi de 0,03%.

Também  um estudo da consultoria MacroSector, feito com base na pesquisa industrial do IBGE, mostra que, de 25 setores analisados, cinco saíram do vermelho no trimestre fevereiro/abril.

“Esse resultado das vendas do varejo pode ser um gatilho”, afirma Alfieri. Ele explica que sempre nas viradas dos ciclos econômicos existem alguns setores que saem na frente e puxam a recuperação. Neste caso, esses itens de inverno mais procurados pelo consumidor poderiam começar a puxar a produção da indústria no momento em que o as lojas voltariam a recompor os estoques.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.