Varig entrega explicação sobre favorecimento de executivos

O ex-presidente da Varig, Marcelo Bottini, entregou nesta segunda-feira à administradora judicial da companhia, a consultoria Deloitte, explicações sobre o favorecimento de cerca de 20 executivos de sua gestão que receberam indenizações trabalhistas antes de serem demitidos, segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT)."Estou entregando hoje (segunda-feira) uma explicação detalhada ao juiz por meio do pessoal da Deloitte. Não posso falar antes do juiz ter conhecimento", afirmou Bottini, por telefone, de Miami, onde trabalha agora para Aerolíneas Argentinas. A Deloitte confirmou o recebimento dos esclarecimentos e informou que preparava uma petição para entregar o documento à comissão de juízes da recuperação judicial da Varig, o que deve acontecer até esta terça.A investigação foi iniciada pelo MPT, do Rio, que tem documentos oficiais da Varig comprovando a antecipação de verbas rescisórias de até R$ 150 mil apenas para um gerente antes do leilão da Varig, realizado no dia 20 de julho. Já os trabalhadores demitidos desde então aguardam salários atrasados, numa dívida estimada por sindicatos em R$ 150 milhões.Na sexta-feira, a Justiça do Rio intimou Bottini a prestar esclarecimentos sobre o favorecimento de diretores e gerentes. De acordo com o juiz Paulo Roberto Fragoso, que substitui o juiz titular da comissão, Luiz Roberto Ayoub, em férias, apesar de os dados sobre a investigação ainda não constarem dos autos da recuperação, ele optou pela intimação devido à gravidade das notícias.De acordo com Fragoso, já havia um pedido de esclarecimento feito a Bottini pela Deloitte, mas que ainda não havia sido atendido. O juiz, então, decidiu intimar o ex-presidente da Varig para obter mais informações sobre as denúncias feitas por funcionários descontentes. De uma lista de oito nomes que o Estado teve acesso, sete foram recontratados pela nova Varig.SlotsA Varig entregou à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) um plano de operação doméstica com as permissões de pouso e decolagem (slots) prioritárias para a companhia. A empresa, a partir de sua homologação em 14 de dezembro, tinha 30 dias para apresentar essa relação, que terá de ser analisada pela Anac.Segundo uma fonte da companhia, o mais importante são os 125 slots que a Varig tinha direito no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, e que estavam congelados pelo processo de recuperação judicial. Essas permissões (intervalos para pouso e decolagens) resultam em cerca de 80 vôos diários. Serão mantidos os vôos que a empresa vêm fazendo para 15 destinos nacionais.Como o setor está na alta temporada de férias e as viagens executivas estão com volume menor, uma portaria permite maior flexibilidade na escala de vôos entre dezembro e março no aeroporto. Com isso, a Varig além de manter os slots pretende aumentar a oferta, como, por exemplo, com vôos de Congonhas para Salvador e Porto Seguro.

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