Varig espera fechar parceria com chilena LAN até junho

A entrada da chilena LAN Airlines no capital da Varig deve ocorrer até junho e há possibilidade de a nova parceira operar as linhas internacionais da companhia brasileira. A sinalização foi dada pelo presidente da Varig, Guilherme Laager, nesta segunda-feira. Em plena negociação com a pretendente chilena, que o impede de informar detalhes, Laager - estreando no setor aéreo após anos como diretor de logística na Companhia Vale do Rio Doce - vê com bons olhos a concretização da operação com a LAN. Ele nega que as concorrentes no mercado doméstico TAM e Gol também estejam no páreo por uma fatia da Varig. "Ninguém nos procurou", afirmou ele a jornalistas. "O interesse da LAN pela Varig é estratégico: ela pode fazer vôos do Brasil para o mundo todo por acordos operacionais, seria uma grande sinergia operacional", explicou, horas antes de se reunir com executivos da empresa chilena, no Rio de Janeiro. Segundo Laager, após receber a autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), há 45 dias, a Varig iniciou estudos para expansão que foram interrompidos pelo aporte de US$ 17 milhões feitos pela LAN. Isso ocorreu porque os planos agora serão feitos em conjunto para integrar as duas companhias. A "Nova Varig", adquirida pelo fundo de investimento norte-americano Matlin Patterson e empresários brasileiros, vai usar os recursos da LAN Chile para acelerar a chegada de mais dois aviões 737-300, prevista para março, e outros dois em julho. Os novos aviões irão se somar à frota atual de 15 aeronaves do mesmo modelo, dedicados ao mercado interno, e aos dois MD-11 e um 767-300 que atendem às rotas internacionais de Buenos Aires, Bogotá, Caracas e Frankfurt. Laager não descartou a compra de aviões Embraer, em estudo na Varig antes da sua posse, mas avaliou que as condições financeiras, devido a impostos, tornam as aeronaves da fabricante brasileira menos atraentes do que outras alternativas. "A LAN Chile pode repassar opções de aviões para a Varig, da Airbus e Boeing, ou registrar aviões para operar a partir do Brasil. Com isso, poderemos retomar os vôos para o Japão, por exemplo", disse Laager, ressaltando que a tendência é de a Varig priorizar o mercado doméstico e a LAN, o internacional. Ele lembrou que a demanda no Brasil está forte e que os problemas com atrasos vividos pelas principais companhias aéreas do país em dezembro e janeiro ajudaram a Varig a recuperar passageiros, principalmente da área corporativa, para quem pontualidade é essencial. "Semana passada tivemos 73% de ocupação na ponte aérea (Rio/São Paulo). O boca a boca está funcionando e vamos continuar investindo na qualidade do atendimento", diz. Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a Nova Varig (VRG Linhas Aéreas) teve em janeiro 4,54% de participação no mercado interno, enquanto a líder TAM registrou fatia de 47,21%. A Gol ficou com 38,40%. Laager estima que até 2008 a Nova Varig terá entre 40 e 50 aviões e assim poderá subir para 20% de participação de mercado.

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