Varig: Fazenda não empresta recursos e BNDES terá decisão técnica

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse hoje que, se a Varig quiser um empréstimo do governo, terá que se dirigir ao Banco nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) porque o Ministério da Fazenda não empresta dinheiro. Ele fez essa afirmação em resposta a uma pergunta de jornalistas se o governo ajudaria a companhia aérea com aporte de recursos. Já o novo presidente da instituição, Demian Fiocca, limitou-se a afirmar: "Vamos tomar uma decisão técnica sempre dentro das regras de prudência bancária". Fiocca, ao ser novamente questionado se o Palácio do Planalto havia pedido uma atenção especial ao caso da Varig, repetiu que a decisão será técnica. Fiocca, porém, não confirmou nem desmentiu se há negociações entre o BNDES e a Varig porque, segundo ele, o BNDES não comenta casos específicos. Apelos ao presidente Hoje, o presidente da Varig, Marcelo Bottini, informou já ter solicitado ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, uma audiência para falar sobre o plano de recuperação e a atual situação financeira da empresa. Ele revelou que solicitou ao governo uma linha de crédito que permita adiar para o segundo semestre o pagamento aos principais fornecedores da companhia, entre eles Infraero e BR Distribuidora. Segundo ele, essa linha poderia dar um alívio na situação financeira da Varig até o final da chamada baixa temporada, época em que tradicionalmente as receitas da empresa aérea diminuem. Bottini admitiu ainda que o caixa da Varig é "bastante limitado", o que exige uma solução mais rápida para a crise financeira em que ela está envolvida. Ontem, a Infraero, estatal que administra os aeroportos brasileiros, deu um ultimato à Varig: se a companhia aérea não retomar os pagamentos diários das tarifas de operação nos aeroportos até o final desta semana, a estatal ameaça passar a cobrar os valores à vista nos aeroportos, no início de cada vôo da empresa. Com isso, várias rotas podem deixar de ser operadas e os clientes desses vôos poderão saber disso somente momentos antes da decolagem. A Varig deve R$ 116 milhões à Infraero. Proposta da VarigLog não é bem aceita Ontem, a companhia recebeu uma oferta da VarigLog, controlada por investidores brasileiros e o fundo americano Matlin Patterson. A oferta não foi bem recebida pelo principal credor da companhia, a Aerus. O projeto de compra da Varig pela ex-subsidiária VarigLog prevê um forte enxugamento da companhia, com queda dos cerca de 11 mil empregados atuais para apenas 6 mil, redução da frota de 71 (54 deles voando atualmente) para 48 aviões e a criação de uma nova empresa, sem dívidas. A proposta não contempla solução para o pesado endividamento, que ficaria isolado numa outra empresa. Sindicatos de trabalhadores e o fundo de pensão Aerus já rejeitaram ontem o projeto. Segundo a presidente do Sindicato Nacional dos Aeroviários, Selma Balbino, porém, os cortes podem ser ainda maiores. Ela disse que a proposta prevê a criação de uma nova empresa com apenas 4,9 mil empregados. Segundo os aeroviários, restariam na empresa 770 pilotos, 1,85 mil comissários e 2,25 mil empregados em terra.Na Varig, já há vários programas de desligamento incentivados, não quantificados ainda. O presidente do Aerus, Odilon Junqueira, disse que o projeto deixa o fundo de pensão "no deserto", porque não reconhece a dívida acumulada. Segundo ele, "é consenso que os outros credores não devem aceitar". "Há um oportunismo grande na proposta. Querem ganhar dinheiro, comprar na bacia das almas", chegou a comentar o vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), Gelson Fochesato.

Agencia Estado,

05 Abril 2006 | 18h55

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