Varig não cumpriu nem a metade dos vôos programados para hoje

A Varig conseguiu colocar em operação apenas dois vôos internacionais nesta terça-feira. Um com destino a Londres, que sairá às 23h30, com duas horas de atraso, e outro com saída para Frankfurt, com escala em Madri, marcado para 21h55. Este último iria apenas até Madri, mas a empresa decidiu ampliar o trajeto para cumprir mais um destino que havia sido cancelado mais cedo. Com estes vôos, a empresa conseguiu cumprir menos da metade dos vôos que estavam programados para hoje. De acordo com a Infraero, 208 vôos deveriam partir nesta terça-feira. Das zero hora até às 18 horas, 118 foram cancelados, incluindo os nacionais e os internacionais.A alegação para os cancelamentos, extra-oficialmente, é a falta de combustível e outros entraves burocráticos. Outro motivo seria o fato de que a empresa teve que tirar de circulação 20 aeronaves que pertencem à Internacional Lease Finance Corporation (ILFC). Na última segunda-feira, a ILFC ameaçou que pediria medidas extraordinárias da Corte de Falências do Distrito Sul de Nova York para que a Varig cumprisse a ordem de devolução das aeronaves.Entre as medidas classificadas como extraordinárias que a ILFC iria sugerir ao juiz Robert Drain, na audiência desta semana, estariam desde multa até pedido de prisão para os representantes da Varig nos Estado Unidos por "violação às ordens" determinadas pela Corte norte-americana.Situação complicadaDuas fontes citaram ao repórter Nilson Brandão, que a Varig poderá suspender as ligações para os Estados Unidos, por conta da restrição de jatos, na readequação da malha aérea. Ficariam mantidos vôos mais rentáveis para a Europa, como Frankfurt, Madri e Londres, dentre os transcontinentais, além de linhas na América do Sul. A empresa não confirmou eventuais mudanças na sua malha aérea. Até o fim do dia, as mudanças não estavam definidas.As agências de viagens antevêem um mês de julho complicado para os viajantes brasileiros, especialmente aqueles que pretendem ir para a Europa. O dólar barato e o ganho de renda da população somados à crise da Varig e ao retorno dos torcedores da Copa do Mundo já aumentaram o número de reservas nas companhias aéreas. Há quem diga que esta será a mais tumultuada temporada de férias dos últimos dez anos."O maior problema são os vôos internacionais", confirma o diretor de Assuntos Internacionais da Associação Brasileira das Agências de Viagens (Abav), Leonel Rossi Jr. É que mais da metade das rotas internacionais está nas mãos da Varig. Já nas rotas domésticas, a participação da companhia é menor, de 13%.A saída, no caso dos vôos internacionais, seria o governo ampliar a cota de participação para outras companhias, diz o diretor da Abav. "Não existe problema insolúvel. O mercado sabe se ajustar", diz ele. De toda forma, ele pondera que o dólar baixo e o ganho de renda da população devem ampliar entre 10% e 13% o volume de negócios nas férias de julho.Situação do consumidorA Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-SP) reiterou hoje os direitos do consumidor na crise da Varig. A companhia aérea, que passa por um processo de recuperação judicial, vem cancelando vôos desde o dia 9 de junho. O Procon-SP afirma que os consumidores que possuem passagens e milhagens têm direitos, e ressaltou que continua "acompanhando atentamente a situação". Segundo explicou o órgão, "as milhagens caracterizam-se pelo pagamento antecipado por uma prestação de serviço", e portanto, trata-se de um direito do consumidor que pagou para obtê-las.O Procon e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) reúnem-se amanhã para discutir os novos posicionamentos a respeito da situação da Varig e as garantias dos clientes que são prejudicados. A crise financeira enfrentada pela empresa atinge diretamente a população. Prova disso é a eficiência operacional da companhia no cenário nacional, que caiu de 82% em janeiro para 55% em maio, segundo a Anac.O órgão de defesa do consumidor recomenda aos consumidores que possuem pontos acumulados em milhagens "que imprimam e guardem os seus extratos de pontuação, assim como os e-tickets e as passagens". Conforme informou o órgão, "essa documentação seria imprescindível no caso de uma eventual ação judicial contra a empresa".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.