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Varig negocia volta para a Argentina

Para acalmar os sindicatos argentinos, a Gol pode contratar 70 funcionários da antiga Varig

Alberto Komatsu, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2019 | 00h00

A Varig poderá retomar seus vôos para Buenos Aires até o final do mês. Desde o dia 9 de agosto, a empresa está proibida de voar para a cidade, por causa de problemas de registro e questões trabalhistas. Uma pessoa próxima às negociações diz que as conversas avançaram depois que a Gol, dona da Varig, deu o sinal que estaria disposta a aproveitar 70 funcionários argentinos da Varig antiga.Em recuperação judicial no Brasil, a Varig antiga tem 100 funcionários na Argentina. No Brasil, a Gol tem buscado apoio na Justiça para sustentar que não é herdeira das dívidas nem dos problemas trabalhistas da velha Varig, separada da nova empresa num leilão realizado no ano passado. Os argentinos não querem saber desse argumento. Um dos motivos que levaram à proibição dos vôos da nova Varig é o medo de demissões na Varig antiga.Os problemas da Varig no exterior não se restringem à Argentina. Relatório da recuperação judicial da Varig antiga emitido no último dia 31 de julho mostra os prejuízos da nova Varig em suas operações internacionais. O relatório foi elaborado como parte do acompanhamento que a Varig antiga faz da nova Varig, durante o período de transição.Segundo o levantamento, a nova Varig registrou prejuízo em sua operação internacional do dia 21 de julho de 2006 - logo após ser arrematada pela ex-subsidiária de cargas VarigLog, que mais tarde a revendeu à Gol - até 31 de dezembro do ano passado.Nesse período, a companhia teve déficit operacional de US$ 70,6 milhões. Sua receita no exterior foi de US$ 13,8 milhões, mas os gastos correntes para manter a operação foram de US$ 84,4 milhões. O cálculo foi feito em 32 cidades, mas nem todas tiveram alguma movimentação de caixa.Na Argentina, há uma dívida trabalhista da Varig antiga de cerca de R$ 800 mil que está em compasso de espera porque a Gol não quer assumir esse passivo sob risco de abrir um precedente judicial no Brasil. A lei de recuperação judicial blinda compradores de empresas em reestruturação de sucessão de dívidas fiscais e trabalhistas.O juiz Luiz Roberto Ayoub, da 1ª Vara Empresarial do Rio, também publicou decisão para ratificar essa proteção, que vale apenas no Brasil. No entendimento de advogados que acompanham o setor aéreo e de sindicalistas, os funcionários argentinos da Varig podem recorrer à Justiça para cobrar seus créditos da Gol, que comprou a Varig por US$ 320 milhões em março. Para haver a transição da antiga para a nova Varig na Argentina, todos os funcionários deverão ser demitidos para poderem ser reaproveitados na companhia.Oficialmente, o governo argentino alega que proibiu a Varig de voar para Buenos Aires porque ela ainda está registrada como a Varig antiga. Segundo uma fonte do setor, esse problema já está sendo solucionado.

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