Varig paga pequena parte de dívida com a Infraero

O presidente da Empresa Brasileira de Infra-estrutura aeroportuária (Infraero), brigadeiro José Carlos Pereira, informou, nesta terça-feira, que a Varig depositou na conta da empresa R$ 9 milhões referentes ao pagamento das taxas de embarque, que são pagas pelos passageiros e precisam ser imediatamente repassadas à estatal. Este repasse tinha sido suspenso no dia 5 de abril, o que agravou a situação da Varig. "Este depósito mostra uma nova disposição da empresa em cumprir com os seus compromissos", revelou o presidente da Infraero, embora o depósito tenha um valor pequeno perto das outras dívidas - inclusive imediatas da empresa. "Não é que a situação esteja resolvida, mas, pelo menos, eles voltaram a pagar as taxas aeroportuárias", observou. Taxas de pouso e decolagem A Varig, porém, não mostrou disposição de voltar a pagar as taxas de pousos e decolagens dos seus aviões. Há 23 dias elas não são pagas. Como são R$ 900 mil ao dia, essa recente dívida representa quase R$ 21 milhões. Já há uma decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) obrigando a Varig a retomar o pagamento das tarifas. A Infraero, em correspondência enviada à Varig na semana passada, já ameaçou que fará a cobrança para cada vôo e decolagem de aeronaves e pode começar a fazer isso a qualquer momento. A princípio, estaria esperando apenas a publicação do acórdão com a decisão do TCU. Mas há informações de que não há necessidade da publicação do texto para a empresa exigir o pagamento diário, bastando a decisão política. Negociações no governo O ministro da Defesa, Waldir Pires, disse hoje que não foi conclusiva a reunião, no final da tarde de ontem, na Casa Civil, sobre a situação financeira da Varig. "Ainda estamos ouvindo todos e a grande discussão é ver se há condições legais de ajudar a empresa", afirmou Pires, depois de ser questionado sobre se o governo está estudando a proposta da companhia aérea, de obter dos credores estatais uma moratória de suas dívidas de três a seis meses. Segundo o ministro, o governo continua empenhado em buscar uma solução "que atenda a toda sociedade, e que seja dentro da lei". Ontem, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) vetou a proposta apresentada pela companhia aérea OceanAir de usar linhas da Varig. Segundo a agência, a operação foi rejeitada por razões "técnicas e jurídicas", mas os detalhes só serão divulgados hoje. A situação da Varig fica ainda mais complicada sem a parceria. O acordo previa que a OceanAir, do empresário German Efromovich, assumiria linhas da Varig pelo prazo de seis meses. Durante esse período, a OceanAir pagaria as contas da Varig, excluindo as dívidas antigas. Seria uma maneira de aliviar a pressão financeira sobre a empresa e ganhar tempo. Ao final do período, a Ocean Air ficaria com pelo menos 10% dos horários e espaços - slots - da Varig nos aeroportos.

Agencia Estado,

11 Abril 2006 | 14h09

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.