Varig pede tempo ao governo para saldar dívidas

Mais tempo para pagar suas dívidas ao governo. Esse foi o pedido apresentado ontem pelo presidente do Conselho de Administração da Varig, David Zylberstajn, em reunião de mais de três horas com o vice-presidente e ministro da Defesa, José Alencar. "Não estamos pedindo favores ou privilégios. Estamos pedindo apenas prazos um pouco maiores", afirmou, sem entrar em detalhes. "Estamos querendo um gesto de boa vontade." Zylberstajn, que assumiu o Conselho no último sábado, disse ter apresentado ao governo os problemas da empresa. Mesmo não tendo recebido uma resposta objetiva de Alencar, o executivo se disse convencido de que haverá uma solução adequada para o problema. Nas próximas semanas, segundo ele, haverá uma série de outros encontros entre representantes da empresa e do governo. Ao deixar o encontro, Alencar disse que está "muito bem impressionado" com o novo Conselho de Administração da Varig, porém, não avançou detalhes. O problema mais premente da Varig são as tarifas aeroportuárias. A empresa deve hoje R$ 194 milhões à Infraero, cujo pagamento foi parcelado, mas outros R$ 132 milhões estão sendo cobrados na Justiça. Para garantir o vôo de aeronaves, a empresa deposita diariamente R$ 1,3 milhão em taxas aeroportuárias.O diretor financeiro da Infraero, Adhenauher Nunes, relatou que, durante o encontro, a diretoria da Varig fez um relato da situação crítica do caixa da empresa e demonstrou interesse em manter um diálogo com o governo. "Eles não pediram, apenas disseram que esperam contar com a compreensão dos credores, especialmente os governamentais", afirmou. Nunes contou que técnicos do governo fizeram comentários sobre os limites estatutários e os estabelecidos por lei que os credores devem obedecer ao tratar de dívidas como as da Varig. David Zylberstajn negou ter discutido cortes de pessoal na Varig, pois, segundo ele, demissões na atual fase só complicariam a crise vivida pela empresa. "Temos pressa em resolver os problemas e mostrar aos credores que há uma solução a caminho", disse. Ele destacou que o governo é o principal credor da Varig e que Alencar demonstrou entusiasmo com a possibilidade de ser encontrada uma saída para a companhia. Questionado se haveria demissões, Alencar disse que não. A presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Graziella Baggio, também informou que demissões não foram discutidas pelo novo Conselho de Administração. "Nós não acreditamos em plano maravilhoso com demissões", afirmou Graziella. "Não vamos admitir alternativas que passem pela questão da mão-de-obra e qualidade do emprego." Ela ressaltou que, nos últimos quatro anos, foram criados planos de demissão voluntária que "já se exauriram". O grupo Varig, incluindo a Riosul e Nordeste, tem 17 mil empregados. A reunião, segundo Graziela, foi marcada oficialmente para que o governo conhecesse a nova cúpula da empresa. Também foram apresentados os dois representantes do governo que vão acompanhar tecnicamente as discussões para tentar resolver a crise da empresa. São eles: o diretor do Departamento de Aviação Civil (DAC), brigadeiro Jorge Godinho, e o Assessor Jurídico do Ministério da Defesa, Arthur Vidigal.

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