Varig pede trégua na cobrança de dívidas

O presidente do Conselho de Administração da Varig, David Zylbersztajn, negou ontem que esteja articulando a formação de um fundo, liderado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para comprar parte do capital da empresa. "Não tem BNDES", disse Zylbersztajn. "Essa é uma proposta do passado." Anteontem, o presidente da Fundação Ruben Berta, Ernesto Zanata, havia dito que a portuguesa TAP ficaria com 20% do capital da Varig, enquanto o fundo liderado pelo BNDES compraria uma outra parcela de ações, não definida.De acordo com Zylbersztajn, a proposta se concentra na portuguesa TAP, que vai comandar um processo de capitalização da Varig da qual participarão outras empresas e investidores. "A TAP será um investidor estratégico", afirmou. "É uma solução global que inclui a TAP para que ela também traga outros parceiros no processo de capitalização", disse o executivo. Zylbersztajn afirmou que a companhia portuguesa poderá investir dinheiro na Varig, mas salientou que esta poderá não ser a única forma. "Como será feito este investimento, é papel dela explicar". Na semana passada, circularam informações de que a TAP não entraria com capital próprio na Varig.Ontem, o executivo visitou diversos órgãos do governo federal, com o objetivo principal de fazer contatos e negociar uma trégua na cobrança das dívidas da empresa e, dessa forma, ganhar fôlego para a reestruturação. Zylbersztajn informou que, anteontem, a Varig honrou ontem um cheque de R$ 9 milhões, referente ao pagamento de leasing de aeronaves. "Confiança é crédito", afirmou, depois de explicar que a primeira operação do conselho gestor é no sentido de dialogar com os credores para ganhar sua confiança e, com isso o crédito. Acompanhado do presidente da companhia, Henrique Neves, e do conselheiro, Eleazar Carvalho, ele esteve no Banco do Brasil, na vice-presidência da República, no Congresso Nacional, na Infraero e no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Estava programado, ainda, um jantar, na residência do líder do PMDB no Senado, Ney Suassuna (PB), com líderes do governo e da oposição.No entanto, segundo informações do setor, o diálogo está mais difícil que o esperado. O grupo não conseguiu o apoio do Banco do Brasil (BB), que tem em mãos parcela de recebíveis da Varig, compostos por dívidas vencidas. Uma flexibilização do BB poderia dar maior fôlego à administração da empresa, já que 85% da receita diária da empresa é consumida com esses recebíveis e apenas 15% vão para o seu caixa. Com esta pequena parcela a Varig ainda tem que pagar diariamente a Petrobrás, Infraero e os salários, além do leasing das aeronaves.O presidente da Infraero, Carlos Wilson, disse que tem interesse em renegociar a dívida da Varig, que em 2004 foi de R$ 134 milhões. Ele, porém, não adiantou detalhes sobre como a dívida poderia ser repactuada.Após receber o grupo, o vice-presidente da República e ministro da Defesa, José Alencar, afirmou que está entusiasmado com o andamento das negociações da Varig, mas negou que tenha havido qualquer discussão sobre as dívidas da companhia aérea com o governo. Na avaliação do ministro, o mais importante nessa negociação foi a credibilidade da empresa ao acertar a reestruturação, com a participação da TAP. "Nós queremos que quem for operar a Varig continue merecendo a concessão. E tudo indica que isso vai ocorrer", afirmou Alencar.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.