Varig pode não conseguir cumprir exigências da Anac

A Varig só tem condições de atender parcialmente a determinação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) de retomar os vôos que, a partir desta sexta-feira, foram suspensos por uma semana. A informação é do presidente da companhia aérea, Marcelo Bottini. Segundo o executivo, há chances de apenas a operação doméstica voltar a ser realizada, mas pode haver dificuldades na retomada dos vôos para o mercado internacional. A Varig e sua nova controladora, a VarigLog, contou Bottini, estão em negociação com empresas arrendadoras de aeronaves para definir a nova malha de vôos. A ex-subsidiária também negocia o aluguel de mais aviões, já que até quinta-feira só havia 13 em operação. A VarigLog chegou a informar, na manhã de ontem, que havia acertado com a Anac um acordo para facilitar o atendimento aos clientes da Varig afetados pela suspensão de vôos.Na quinta-feira, a companhia anunciou que até o dia 28 só irá operar os vôos da ponte aérea. A intenção da quase paralisação seria um levantamento do estado dos aviões (são necessárias apenas quatro unidades para atender 36 vôos da ponte aérea, segundo especialistas) e a identificação das rotas mais rentáveis.Após o leilão da Varig, na quinta-feira, o presidente da Anac, Milton Zuanazzi, informou que a compradora tinha prazo de 30 dias após a homologação da compra para comprovar se tem condições de voltar a operar as rotas que estão paradas, e vem sendo atendidas por outras companhias aéreas, por meio de um plano de contingência montado pela própria agência.DemissõesAlém das cerca de 8 mil demissões que a Varig deverá fazer para ajustar a operação da nova Varig, com custo de rescisão estimado em US$ 65 milhões, outros 3.340 cortes poderão ser realizados em empresas que prestam serviços para a companhia aérea, elevando o número de dispensas em torno das atividades da Varig para 11.340. O cálculo é do Sindicato Nacional dos Aeroviários. De acordo com a presidente do sindicato, Selma Balbino, as demissões estão sendo negociadas pela Sata, empresa de serviços aeroportuários controlada pela Fundação Ruben Berta (2 mil cortes), pela VEM Engenharia e Manutenção, ex-subsidiária de manutenção (1.000 dispensas), pela Gate Gourmet, maior fornecedora de comida de bordo (140 demissões) e pela própria fundação (em torno de 200 pessoas demissionárias). A fundação informou que não comenta o assunto. A Sata, a VEM e a Gate Gourmet foram procuradas, mas não retornaram até o final da tarde desta sexta-feira ."Estamos pedindo uma agenda urgente com o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, na semana que vem para que os trabalhadores do setor aéreo possam ter o mesmo tratamento que os do setor calçadista", afirma Selma. Ela se referiu à decisão do governo de aumentar de 3 para 5 meses o pagamento do seguro-desemprego para os trabalhadores das empresas de calçados. A medida foi publicada anteontem no Diário Oficial da União.Poucas horas depois do leilão da Varig, no qual a VarigLog arrematou a ex-controladora por uma oferta total de US$ 505 milhões, o Sindicato Nacional dos Aeronautas informou que a VarigLog pretende contratar 1.680 funcionários, nos próximos 60 dias, para operar 15 aviões da nova Varig. No prazo de 12 meses, o objetivo da ex-subsidiária é o de ter uma frota de 30 unidades, numa média mensal de 2 aeronaves por mês. A lista definitiva das demissões da Varig deve ser divulgada no início da semana.

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