Varig poderá ser arrematada por menos de US$ 860 milhões

O preço de venda da Varig poderá ser inferior aos US$ 860 milhões anunciados previamente pelos organizadores do leilão judicial da companhia aérea. Esse valor só será válido para uma primeira rodada do leilão, mas caso o preço mínimo não seja atingido, o comprador poderá fazer propostas a preços inferiores, desde que não seja a "preço vil". Essa é uma das cláusulas do edital do leilão de venda da empresa, divulgado nesta terça-feira. O documento, porém, não define o que seja preço vil, e também deixa claro que o comprador não assumirá as dívidas e passivos da empresa. Na verdade, o leilão se restringirá aos bens e direitos da companhia, especialmente os horários de vôo, os contratos de leasing (contrato pelo qual uma empresa cede a outra, por determinado período, o direito de usar e obter rendimentos de bens) e as baias e hangares nos aeroportos para a operação da empresa, entre outros ativos. O cartão Smiles também estará incluso na operação.O comprador poderá ainda lançar mão dos créditos que tenha contra a Varig, sem nenhum deságio (quando se paga por um ativo um preço menor que o de face, ou tabelado, ou de referência), inclusive os créditos sem garantia real. Esse mecanismo foi adotado nos leilões de privatização, quando o governo autorizou a utilização de títulos públicos que estavam micados no mercado (créditos podres). Em contrapartida, o comprador terá de fazer um adiantamento de pelo menos US$ 75 milhões à Varig três dias após ser declarado vencedor. O edital abre também a possibilidade de se contestar o passivo atuarial junto ao Instituto Aerus, dos funcionários da companhia aérea. O edital prevê a abertura de uma sala de informações com os contratos da Varig a partir da próxima quarta-feira, estipulando que o leilão terá início às 10 horas da próxima segunda-feira, dia 05.Período de transição O edital prevê ainda um "período de transição" de 30 dias, durante o qual a Varig será administrada de forma conjunta pelos novos compradores e pelos vendedores. Nesse período, os interessados terão de conseguir a aprovação da operação por parte das autoridades do setor, como a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e da Infraero, estatal que administra os aeroportos e um dos maiores credores da Varig. Caso as exigências não sejam atendidas, haverá novo período de transição, também de 30 dias, quando o comprador terá de adiantar mais US$ 50 milhões à empresa.DecisãoA decisão sobre a venda da companhia aérea foi aprovada pelos credores da empresa em maio. Com a determinação, foi estabelecido que o interessado poderia escolher entre a compra integral da Varig (operacional) - compreendendo os ativos totais da companhia - inclusive as rotas internacionais - ou, então, a doméstica, com operação nacional.Até 31 de dezembro do ano passado, os passivos totais da companhia atingiam R$ 9,472 bilhões - o que representava uma alta de 39% na comparação com 2003. O último balancete financeiro da companhia, divulgado em setembro de 2005, mostrava um passivo a descoberto de R$ 7,2 bilhões. Esse débito representa que, caso a empresa seja vendida, ainda haverá uma dívida neste valor.Seqüência de perdasA seqüência de perdas da Varig começou após os ataques às Torres Gêmeas do World Trade Center, nos Estados Unidos, em setembro de 2001. Com o medo ocasionado pelos atentados terroristas, as companhias aéreas mundiais tiveram queda de 18% na procura. Porém, o agravante da companhia brasileira foi o fato de um representante do Trabalhadores do Grupo Varig (TGV), o comandante Luiz Martins, assumir o controle da companhia, o que fez com que certas facilidades - que nem sempre compensavam financeiramente - fossem concedidas aos funcionários. Cortes de pessoal também não eram aprovados.Este texto foi atualizado às 10h51

Agencia Estado,

30 de maio de 2006 | 09h31

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