Varig prepara aumento de tarifas em função do dólar

A Varig terá de fazer ajustes nas tarifas e nas operações em função da alta do dólar. Esta é a previsão do presidente da companhia, Ozires Silva, que participou hoje da inauguração da primeira etapa da fábrica da Embraer, em Gavião Peixoto, no interior de SP. De acordo com ele, as companhias aéreas nacionais não têm como arcar com os custos do dólar, do dissídio dos trabalhadores e dos combustíveis sem repassar parte dos aumentos para o consumidor. Ozires não disse quando a empresa poderá mexer nas tarifas, mas reclamou, mais uma vez, da pesada carga tributária sobre a aviação nacional. Segundo ele, o processo de capitalização da empresa poderá ser concluído em setembro. A Varig iniciou no ano passado, um projeto para aumentar o capital e conseguir mais de US$ 500 milhões de investidores nacionais ou estrangeiros. O plano de capitalização está sendo discutido com o BNDES. Segundo Ozires, as reuniões entre os técnicos do banco e da Varig são freqüentes, mas ainda não há nenhuma conclusão. Ele afirmou que a companhia precisa de mais de US$ 500 milhões e não quis informar com quais possíveis sócios a Varig está em negociação.DívidasA companhia tem dívidas de cerca de US$ 900 milhões e tem reestruturado suas operações. Recentemente, a Varig devolveu aviões à empresa de leasing norte-americana GE. As devoluções estão sendo contabilizadas como exportações na balança comercial brasileira. Segundo Ozires, o mercado para aviação melhorou em relação ao fim do ano passado. "Mas ainda está difícil", afirmou.No ano passado, a Fundação Rubem Berta, que controla 87% do capital votante do grupo Varig, concordou em abrir mão do controle da companhia para a entrada de um novo sócio. A iniciativa gerou uma reação contrária dentro da empresa. Uma parte dos pilotos entrou em greve, reclamando do possível "desmonte" da Varig. Para Ozires, os pilotos mantêm uma visão atrasada a respeito da administração da empresa. "Os pilotos deveriam andar para a frente, mas eles continuam andando para trás."TorcidaOzires trabalhou na Embraer durante 21 anos. Ele se disse "emocionado" com a inauguração da unidade de Gavião Peixoto. Para Ozires, a Embraer é a favorita para vencer a licitação da Força Aérea Brasileira (FAB). A empresa faz parte do consórcio Mirage e quer fornecer de 12 a até 24 caças. "Acredito que o contrato deveria ficar com o Brasil", disse Ozires.Ele afirmou que ficará "feliz" se a Embraer vencer, apesar de a Varig ter realizado um acordo com a Gripen, empresa controlada pelo consórcio anglo-sueco BAE System/SAAB. O acordo prevê a montagem dos supersônicos Gripen na Varig Engenharia e Manutenção (VEM). "O importante é que o investimento venha para o Brasil", declarou Ozires.

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