Varig reforçará caixa com R$ 40 milhões em debêntures

A FRB-Par, holding que controla o grupo Varig, deverá aprovar na terça-feira a emissão de R$ 40 milhões em debêntures não conversíveis em ações - mais um esforço dentro da complexa reengenharia de suas dívidas, que chegaram a atingir US$ 1,2 bilhão no ano passado. No mesmo dia, também serão votados os acordos de renegociação de dívidas com os credores e o aumento de capital da nova empresa do grupo, a Varig Engenharia e Manutenção, que receberá bens e equipamentos da Varig, reavaliados com ganho para a holding.Ontem, a companhia apresentou mais esclarecimentos à Bovespa sobre os acordos com a Boeing e a Capital, dois de seus maiores credores. As especulações veiculadas esta semana sobre possível injeção de capital das duas multinacionais levaram as ações da companhia a alta de mais de 30% em um só dia.Depois da série de desmentidos oficiais, tanto por parte da Varig quanto da GE e da Boeing, as ações chegaram a cair, mas ainda assim terminaram a semana com valorização de 63,33% nos últimos 30 dias. "Não procedem as notícias de que estejam existindo estudos ou negociações no sentido de capitalização ou aporte por parte daquelas empresas de qualquer valor adicional aos acordos já firmados", diz a nota.As operações com a GE, segundo o documento, se resumiram à revisão dos contratos de leasing dos 27 aviões arrendados à companhia aérea. Com a Boeing, será concluída em fevereiro a operação de venda para posterior aluguel (sale and lease-back) de seis aviões. O acordo, divulgado em dezembro, prevê a compra de quatro MD-11 e dois 737-300 da Varig pela Boeing, com o registro do ganho no balanço da companhia. Mas quatro dessas aeronaves serão arrendadas de volta à Varig.Apesar de a negociação com a Boeing representar ganho contábil de US$ 368 milhões e economia mensal de US$ 40 milhões em encargos, o estopim para os boatos foi a cláusula que abre a possibilidade de futura compra de ações pela Varig.Além disso, analistas de mercado afirmam que a VEM é forte candidata a receber a ter a GE como acionista. A empresa, que já tem uma empresa de manutenção de turbinas no País, a Celma, teria interesse em participar do que poderá ser o maior parque de prestação de serviços do setor na América Latina.Um consultor, que pediu para não ser identificado, afirma que, por trás de todos os negócios envolvendo os nomes da GE e da Boeing, está o interesse das empresas em melhorar a situação de sua principal cliente no continente, dona de 39,67% do mercado aéreo doméstico (com a Rio Sul e a Nordeste) e 82,26% dos vôos para o exterior no ano passado. "O próximo passo será a incorporação da estrutura e das concessões deixadas pela Transbrasil", garante.

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