Varig suspenderá todos os vôos, exceto RJ e SP

A Varig suspenderá temporariamente, a partir de hoje, 23 dos 25 destinos que vinha operando até esta semana. Com a decisão, a Varig pára de voar a partir de hoje para as 11 cidades que ainda servia no exterior e também para 12 das 14 cidades brasileiras nas quais atuava. Restarão apenas os vôos entre Rio e São Paulo, que estão sendo ampliados de dez para 36 diários.O enxugamento estratégico da malha da Varig foi comunicado hoje, no início da noite. A nota informa que a ampliação da oferta na Ponte Aérea mostra "que os novos controladores querem voltar a oferecer mais opções de horários a seus passageiros" e que isso permitirá à empresa "rapidamente retomar seu crescimento e rentabilidade". Segundo a empresa, a partir do dia 28 as demais rotas, domésticas e internacionais, "serão retomadas gradativamente".O serviço oferecido pela Varig na Ponte Aérea estava fragilizado nos últimos meses pela falta de aviões disponíveis para operar e pela falta de capacidade de investir em serviços e marketing. Com o encolhimento, a empresa resolve momentaneamente o problema da restrição de frota. Hoje, segundo fontes da empresa, a companhia operou com 12 aviões. Para realizar os vôos agora previstos na ponte, seriam necessários somente de três a quatro jatos, calculam analistas.Rotas canceladasCom o plano divulgado hoje, a Varig deixa de voar no exterior para Miami, Nova York, Frankfurt, Londres, Buenos Aires, Lima, Santa Cruz, Santiago do Chile, Caracas, Aruba e Copenhagen. Já dentro do Brasil, deixam de ser servidas as cidades de Salvador, Recife, Fortaleza, Belém, Manaus, Foz do Iguaçu, Curitiba, Porto Alegre, Fernando de Noronha, Florianópolis, Natal e Brasília. Com os problemas de frota, a empresa já vinha reduzindo vôos.No dia 21 de junho, entrou em vigor a última malha da empresa aérea, que, naquele momento, reduzia em praticamente 60% sua oferta de vôos. Até meados do mês passado, a Varig voava para 61 cidades - 36 no Brasil e 25 no exterior -, total que diminuiu para as 25 que vinham sendo atendidas. Naquele corte, saiu do mapa dos serviços da companhia alguns destinos tradicionais, como Paris, Lisboa e Milão.Participação no mercadoComo efeito do encolhimento da frota e da malha aérea, o peso da Varig no mercado doméstico minguou. A empresa, que fechou o mês de junho com 10,5% de participação, chegou a meados de julho com não mais do que 4,9%, conforme estimativa do especialista Paulo Roberto Bittencourt Sampaio. Estima-se que a Varig já seja menor no mercado doméstico do que a soma da OceanAir com a BRA. No setor internacional, houve também recuo: a Varig, que teve 78% do tráfego internacional feito pelas empresas nacionais, despencou para 53,8%.Nova diretoriaUma fonte que acompanha de perto o dia a dia da empresa, conta que até o fim da tarde de hoje a perspectiva era de que a Varig deveria parar de operar totalmente durante três ou quatro dias, tempo que seria usado para definições internas e estruturação da nova operação, o que acabou não se confirmando. A partir de então, a empresa voltaria às operações com uma nova malha inicial. Também circularam nomes de executivos que deverão compor a nova diretoria da empresa aérea, sob o controle da VarigLog.Outra fonte informou que piloto John Long, ex-diretor da Rio Sul, deverá ocupar a diretoria operacional da nova empresa. Já o atual diretor de planejamento da empresa, Luiz André Patrão, deverá permanecer no cargo. Alguns executivos da companhia, contudo, não deverão permanecer na empresa.Pelo menos um dos cargos vagos de vice-presidente, da parte operacional, deverá sair dos quadros de uma empresa da Audi Helicópteros, empresa de um dos acionistas da Volo Brasil, a controladora da VarigLog. Outra expectativa é de que semana que vem seja publicado uma espécie de edital com o nome dos funcionários que permanecerão na nova Varig.

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