Vasp acusada de negligenciar segurança de vôo

A Vasp foi acusada pelo Sindicato Nacional dos Aeronautas e por ex-funcionários de negligência nos procedimentos de segurança nos vôos e de colocar em risco a vida dos passageiros. De acordo com as denúncias, para cortar custos, a empresa tem contratado comissários jovens por salários menores do que os pagos aos antigos funcionários.A presidente do Sindicato, Graziella Baggio, afirmou que há dezenas de ações sobre irregularidades da Vasp, que estão em julgamento no Ministério Público do Trabalho de São Paulo. "Também vamos entrar com ações no Ministério Público Federal", informou.Por intermédio de sua assessoria, a Vasp negou as irregularidades, informando que as acusações são uma tentativa de "desestabilizar a empresa".De acordo com Graziella, a Vasp demitiu 150 aeronautas nos últimos três meses. Para ocupar esses postos, a companhia estaria contratando comissários pela metade do salário. Como a empresa fechou sua escola de treinamento, os novos comissários pagam R$ 800 (em três parcelas) para fazer um curso na Escola de Aviação Congonhas (Eacon)."Esse curso não pode ser cobrado, porque é apenas um treinamento de adaptação às normas da empresa. No entanto, alguns aeronautas pagaram e não foram contratados", disse a sindicalista. DenúnciasUm e-mail enviado a órgãos de imprensa por uma pessoa que não se identificou e que se apresenta como ex-funcionária da Vasp traz mais denúncias contra a companhia. Ela acusa a Vasp de não depositar o FGTS dos trabalhadores e de demorar até quatro meses para fazer a homologação dos demitidos.Graziella confirmou que problemas como esses vêm ocorrendo e que a empresa já chegou a ser condenada na Justiça por irregularidades em ações trabalhistas.A suposta ex-funcionária também afirma que os profissionais recém-contratados pela companhia chegaram a entrar em pânico em alguns vôos por desconhecer as normas de segurança. A sindicalista confirmou que muitos comissários da Vasp assumem os vôos com poucas horas de treinamento e ficam assustados diante de algum imprevisto. "É natural que eles entrem em pânico, pois não estão sendo condicionados aos procedimentos da aviação."Outro problema, segundo Graziella, é que os tripulantes da Vasp trabalham de 130 a 140 horas por mês, quando o período normal é de 85 horas mensais. "O excesso de trabalho não pode ocorrer na aviação, porque coloca em risco a vida dos passageiros", afirmou. O medo ao desemprego num mercado em crise faz com que os trabalhadores aceitem essas condições, segundo a presidente do sindicato.Segundo o último balanço divulgado, a Vasp teve prejuízo líquido de R$ 362 milhões até setembro de 2001. A companhia tinha patrimônio líquido negativo de R$ 208 milhões no dia 30 daquele mês.

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