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Vasp e Banespa estão próximos de um acordo

A Vasp, que publicará seu balanço ao final deste mês, está próxima a fechar um acordo com o Banespa (Santander) sobre a dívida que a companhia tem com a instituição, disse o presidente da empresa, Wagner Canhedo. "Embora a disputa esteja em andamento na Justiça, existe uma grande possibilidade concreta de acordo", disse Canhedo, em entrevista exclusiva à Agência Estado.O executivo acrescentou que as negociações com o banco devem ser concluídas em breve e que a direção do Banespa tem se mostrado aberta às propostas da Vasp e interessada em chegar a uma solução que trará resultados positivos para ambas as partes.Até o dia 30 de setembro do ano passado, o total de empréstimos e financiamentos da Vasp era de R$ 364,5 milhões. Desse volume, R$ 293,5 milhões (80,5%) tinham vencimento no longo prazo. Ainda de acordo com o último balanço divulgado pela empresa, o patrimônio líquido da Vasp estava negativo em R$ 208,5 milhões.O presidente da Vasp, que evitou falar em números, disse que o passivo é menor que os ativos da empresa, que, de acordo com ele, superam hoje os R$ 2 bilhões. "O passivo da companhia está totalmente equacionado. Não temos uma única dívida que não esteja solucionada", insistiu Canhedo, na entrevista concedida na sede da empresa em São Paulo.Balanço da companhiaO executivo informou também que a Vasp não deve voltar a operar rotas internacionais antes de 2004. "Acho que vamos demorar ainda cerca de dois anos para voltar. Queremos, primeiro, fortalecer-nos no mercado doméstico e ganhar musculatura para poder concorrer com as megaempresas americanas e européias" disse. Canhedo explicou que, apesar dessa demora para retomar os vôos internacionais, a companhia não perderá a concessão das rotas.O presidente da empresa explicou também que, depois dos resultados obtidos nos dois últimos anos, a Vasp está pronta para crescer. "Embora a empresa venha registrando prejuízo nos resultados operacionais, o financeiro tem mostrado lucro", disse Canhedo.O balanço da companhia até o terceiro trimestre do ano passado enviado à Bovespa mostra prejuízo de R$ 115,7 milhões no resultado financeiro líquido, cifra pouco abaixo dos R$ 126,5 milhões do mesmo período de 2000. Entre janeiro e setembro do ano passado, o resultado operacional da empresa apresentou também saldo negativo de R$ 385,4 milhões. "Com essa guerra tarifária que se armou no País, nenhuma companhia tem condições de ter lucro operacional", explicou o presidente da Vasp.Nos nove primeiros meses de 2001, o balanço da companhia mostrava prejuízo de R$ 362 milhões, significativamente superior aos R$ 18,2 milhões registrados no mesmo intervalo de 2000. Das quatro companhias que operam no Brasil, acrescentou o executivo, "a Vasp é a que se encontra em situação melhor". De acordo com ele, os balanços das empresas aéreas que devem ser publicadas no decorrer deste mês vão provar isso. "A Vasp é a que está menos ruim", resumiu Canhedo.O executivo disse ainda que, este ano, a companhia deve apresentar faturamento bruto 20% superior ao do ano passado. Até setembro de 2001, a Vasp faturou R$ 983,9 milhões. "Estamos ganhando e não perdendo mercado, apesar do excesso de oferta", afirmou. Hoje, de acordo com ele, a Vasp detém 14,7% do mercado, ante pouco mais de 36% da Varig, 30% da TAM e o restante de outras companhias.Apropriação indevida Wagner Canhedo disse que as denúncias contra ele e seu filho Ulisses na Bolívia, onde em 1995 a Vasp adquiriu 51,23% do Lloyd Aéreo Boliviano (LAB) por US$ 47 milhões, não têm fundamento e, de acordo com ele, as acusações de apropriação indébita de US$ 100 milhões são absurdas e irresponsáveis, razão pela qual não se dará ao trabalho de contestá-las.Funcionários do LAB acusam a família Canhedo de ter desviado da companhia aérea boliviana cerca de US$ 100 milhões no período em que a Vasp controlou a empresa. Em dezembro do ano passado, o LAB sofreu intervenção do governo devido a denúncias contra seus acionistas majoritários, a família Canhedo.De acordo com essas denúncias, publicadas também na imprensa boliviana, Wagner e Ulisses Canhedo teriam se aproveitado indevidamente de um fundo de US$ 22 milhões, utilizado outros US$ 26 milhões em ações de uma subsidiária (Sita) e não desembolsado os US$ 47 milhões com os quais adquiriram o controle do LAB há quase sete anos. "O Lloyd é uma companhia que fatura US$ 15 milhões por mês e tem despesas totais de US$ 17 milhões. Então, ninguém poderia tirar de lá sequer US$ 100, quanto mais US$ 100 milhões", disse Canhedo.A Vasp vendeu no dia 3 de dezembro os 51,23% do LAB adquiridos em 1995 para um empresário boliviano. "Agora, a responsabilidade dos ativos e dos passivos dessa companhia é do empresário que assumiu a empresa", afirmou. De acordo com ele, o passivo de curto e longo prazos do Lloyd no momento em que foi feita a transação era de US$ 102 milhões e o patrimônio líquido positivo somava US$ 40 milhões. Canhedo não quis informar o montante da transação entre a Vasp e os atuais donos do Lloyd Aéreo Boliviano.Ele lembrou ainda que a empresa colocará seus advogados à disposição das autoridades bolivianas para prestar quaisquer esclarecimentos sobre as denúncias contra a Vasp. Canhedo explicou também que os 42% que a Vasp tinha na companhia Equatoriana de Aviação foram definitivamente transferidos para o governo do Equador. "Descobrimos que os países da América do Sul, principalmente a Bolívia e o Equador, não estão preparados para participar do processo de globalização da economia", afirmou.

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