Vasp luta para participar do acordo entre Varig e TAM

O presidente da Vasp, Wagner Canhedo, não se conforma em ter sido deixado de lado no acordo que deu os primeiros passos para a criação de uma holding unindo a Varig e a TAM. Ele garante que foi convidado para assinar o protocolo de intenções na semana passada, mas não concordou com os termos do acerto e agora quer que ele seja modificado. "Vamos continuar a conversar com a TAM e a Varig, mas queremos alterações", disse.A Vasp quer que as três empresas tenham participação igual nas ações da holding (33,33% cada) e que o acerto tenha base no seu valor patrimonial. "A fusão deve ocorrer com ativos reais, não com base em valores intangíveis, como o valor das rotas e das marcas", afirmou Canhedo. Segundo ele, "do jeito que está, a fusão Varig-TAM não sairá do papel".Canhedo admite que a Vasp está em posição confortável em relação às outras duas porque tem patrimônio líquido positivo. A Varig tem patrimônio negativo superior a R$ 1 bilhão e a TAM tem altas dívidas de leasing de aviões. Além disso, a Vasp tem a vantagem de ter 28 de seus 32 aviões quitados. Embora a empresa tenha dívidas superiores a R$ 1 bilhão, o principal credor da Vasp é o governo federal, ao contrário da Varig e da TAM, que devem para multinacionais de leasing. Segundo Canhedo, as empresas poderiam se fundir mesmo tendo o patrimônio negativo e se recuperar conforme a holding "for dando lucro".O presidente da Vasp acredita que o governo federal deve intervir na aviação e reestruturar as linhas aéreas domésticas e internacionais, já que há excesso de oferta. De acordo com ele, se isso não for feito, o acordo de fusão não vai funcionar.Canhedo reclamou da guerra tarifária, lembrando o fato de a Gol operar com baixa tarifa nos aeroportos principais no Brasil, e não nos periféricos como ocorre com empresas de baixo custo em outros países. Ele afirmou que a frota nacional de aviões está superdimensionada para o mercado doméstico, que tem registrado queda no movimento. "Nós apostávamos que a economia iria crescer e isso não aconteceu", explicou.ICMSCanhedo quer o governo federal "dê um jeito" de convencer os Estados a devolver o ICMS recolhido irregularmente entre 1989 e 1994 sobre a venda de passagens domésticas e internacionais e sobre o transporte de cargas para o exterior. As quatro maiores empresas do setor na época (Varig, TAM, Transbrasil e Vasp) têm R$ 1,7 bilhão em créditos de ICMS para receber. "Defendemos que esses créditos sejam federalizados e pagos o mais rápido possível", disse.A Vasp teve em 2002 prejuízo líquido de R$ 20 milhões. "Fechamos no vermelho, quase rosa", brincou o empresário. A empresa ainda não divulgou o balanço financeiro do ano passado. Canhedo afirmou que conseguiu reverter, por meio de negociações e de corte de custos operacionais no último trimestre, parte das perdas que vinha acumulando nos primeiros nove meses. A Vasp registrou prejuízo de R$ 234,2 milhões até setembro. Ele disse que a empresa sofreu as conseqüências da crise do setor no ano passado. Em 2001, a Vasp foi a única entre as maiores da aviação nacional a registrar lucro.A companhia aérea fará 70 anos em 2003, com a frota de 32 aviões parcialmente envelhecida. Canhedo afirmou que não pretende vender parte do capital da Vasp para estrangeiros, como fez a Gol, que negocia a venda de 20% do capital para a seguradora AIG. "Queremos que a empresa seja 100% nacional."Ele disse também que não é sua intenção vender a Vaspex, unidade de cargas da empresa, que vem apresentando crescimento e respondeu por 20% das suas receitas globais em 2002. "A Vaspex está indo muito bem e não vamos vendê-la de jeito nenhum", afirmou Canhedo.O presidente da Vasp quer renovar a frota com aviões Embraer e Airbus, mas não explicou como conseguirá financiamento. Por fim, o empresário declarou que sonha em colocar a Vasp novamente para voar para o Exterior. A empresa abandonou as rotas internacionais antes dos atentados terroristas, livrando-se de mais prejuízos.

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