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Vazamento de informação sobre Telemar afasta diretor da CVM

O vazamento de informações sobre a atuação no caso Telemar provocou o afastamento temporário de Sérgio Weguelin, diretor da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Ao completar 30 anos, é a primeira vez que a autarquia se depara com um episódio desse tipo. Em carta entregue na quinta-feira ao presidente do órgão, Marcelo Trindade, o diretor conta que trocou e-mails com um investidor estrangeiro a respeito da reestruturação societária da operadora de telefonia fixa.No dia 17 de agosto, véspera da divulgação do parecer da CVM que modificou completamente a precificação das ações da Telemar, Weguelin recebeu uma correspondência eletrônica do gestor de um fundo americano. O investidor perguntava como a autarquia poderia deixar uma operação como a da operadora ocorrer. O diretor respondeu dizendo que a CVM estava considerando a possibilidade de soltar um parecer sobre o tema, para ajudar o mercado entender o que o órgão pensava a respeito do assunto. Essa posição da autarquia, prossegue Weguelin, deverá "levar alguém a algum lugar". O gestor enviou novo e-mail dizendo esperar que a relação entre as ações ON e PN caia. Então pergunta quando deve ver algo sobre isso, já que a operação da Telemar está prevista para o quarto trimestre. Na última mensagem, Weguelin responde: "Este mês".No dia seguinte (18/8), a CVM divulgou o parecer que colocou um grande entrave para a aprovação da reorganização societária da Telemar e provocou fortes quedas nas ações ordinárias. A desvalorização dos papéis ON se justifica por uma mudança relevante na conjuntura ligada à operação. Antes do posicionamento da autarquia, o mercado não via dificuldades para que os controladores aprovassem a reorganização nos moldes originais - pelos quais, na etapa final, haveria um aumento de participação dos ordinaristas e uma diluição dos preferencialistas. Agora, no entanto, sem que os detentores de ON possam votar na assembléia, existem chances reais de que a operação seja cancelada.Na carta entregue a Trindade, o diretor pede afastamento temporário do cargo e diz que só teve acesso à minuta da decisão do órgão no fim da tarde do dia 17, depois, portanto, da troca de mensagens. Weguelin, que tinha mandato até dezembro de 2008, estava na CVM desde novembro de 2004, quando entrou para substituir o advogado Luiz Antonio Campos. Antes, o economista era chefe de mercado de capitais do BNDES e participou do lançamento do primeiro Papéis Índice Brasil Bovespa (PIBB), fundo que replica o IBX-50. Estava no banco de fomento desde 1982. A conduta de Weguelin será investigada pelo Ministério da Fazenda, como determina o artigo 6 da Lei no. 6.385, que trata das funções da CVM. Pela legislação, cabe ao ministro instaurar processo administrativo disciplinar, sendo que o julgamento compete ao presidente da República.A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está investigando a atuação de investidores no mercado de aluguel de ações e, até a conclusão das análises, não voltará a se pronunciar sobre o tema. Em carta, o presidente da autarquia, Marcelo Trindade, diz que até agora não há "qualquer indício concreto de que o investidor estrangeiro destinatário da mensagem de e-mail tenha dela se aproveitado".

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