Vázquez falta à cerimônia de criação do Banco do Sul

Néstor Kirchner, em seu último ato oficial como presidente da Argentina, preparava-se hoje, no início da noite, para comandar a assinatura do Banco do Sul, a entidade financeira regional que ambiciona ser uma espécie de Banco Mundial (Bird) ou Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) regional. A cerimônia seria realizada na Casa Rosada, o palácio presidencial, com a presença de seis presidentes. No entanto, a nova entidade financeira é integrada por sete países: Argentina, Brasil, Bolívia, Equador, Paraguai, Venezuela e Uruguai. O ausente era o presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, que por causa da péssima relação com Kirchner (ambos estão em estado de constante confronto há dois anos por causa da "Guerra da Celulose" entre seus países) preferiu não participar da cerimônia. Essa não é a única divergência que afeta a criação do Banco.Além dessa, nos governos dos países da região existem diferentes expectativas sobre a utilidade da entidade. Enquanto presidentes como o venezuelano Hugo Chávez e o equatoriano Rafael Correa encaram o Banco do Sul como uma ferramenta para "a liberação" dos organismos financeiros internacionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI), outros governos, como o brasileiro, tentam enquadrar a nova entidade financeira em um contexto de um banco de desenvolvimento, seguindo o modelo do BNDES.O Ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, declarou antes da cerimônia, no portão da Embaixada brasileira na capital argentina, que o Banco do Sul "não tem nada a ver com o FMI." Segundo ele, "será mais um banco de crédito como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Mas, com uma grande diferença, ou seja, que será controlado pelos países da América do Sul". "Será uma entidade financeira voltada para nossos interesses", afirmou.

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