Vedete de 2013 tropeça no ranking de vendas

1 dormitório, após bater sucessivos recordes no ano passado, lidera os lançamentos em março, mas, no trimestre, vende menos que os de 2 e 3 quartos

Heraldo Vaz, ESPECIAL PARA O ESTADO ,

29 de maio de 2014 | 10h40

SÃO PAULO - Com 1.066 unidades lançadas em março, os imóveis de até um dormitório abocanharam fatia de 41,7% do total de apartamentos ofertados no mês, liderando o mercado paulistano. Mas a venda acumulada no trimestre – 676 unidades dessa tipologia – representou só 18% dos negócios fechados no segmento residencial de janeiro a março.

Como grande vedete de 2013, o um dormitório bateu sucessivos recordes de vendas e lançamentos no segundo semestre do ano passado. Em 2014, o volume ficou 38% abaixo das vendas de três dormitórios, vice-líder do ranking, e atrás dos imóveis de dois quartos, que é o tradicional campeão do setor na cidade.

Por ter o metro quadrado mais caro que as demais tipologias, o produto de até um dormitório, proporcionalmente, dá mais lucro às empresas. A retração nas vendas levanta a questão se esse modelo está perto do esgotamento.

O economista chefe do Sindicato da Habitação (Secovi) de São Paulo, Celso Petrucci, garante que ainda haverá, neste primeiro semestre, "muitos lançamentos" de um dormitório. "Está consolidada uma tendência do ano passado, quando 28% de todas as unidades lançadas foram desse tipo", afirma.

Em 2014, a participação é de 34% – 1.333 unidades lançadas de janeiro a março para um total de 3.908 apartamentos, segundo o último balanço mensal do Secovi. "Não acredito no arrefecimento das vendas do um dormitório", diz Petrucci. "É a busca pelo tíquete mais baixo, para tentar colocar o produto no bolso do consumidor."

‘Efeito manada’. As vendas de um dormitório dobraram de 4,2 mil unidades em 2012 para 8,4 mil no ano passado, quando conquistou a vice-liderança do ranking, superando o três quartos. Neste ano, porém, as posições se inverteram. "Quando o mercado começa a lançar e vender um tipo de produto fora da curva, acaba tendo um efeito manada", diz Petrucci. "Em 2007, tivemos uma avalanche de quatro dormitórios."

Em 2007, foram 13,3 mil apartamentos de quatro dormitórios, um terço do total de lançamentos. Em 2013, não chegou a 2,5 mil unidades. Segundo Petrucci, quando o "tíquete do produto esgota a demanda reprimida", o setor passa para outro. "De quatro foi para três e chegou ao um dormitório no ano passado."

No setor residencial, apesar da queda de 45% em vendas e 26% em lançamentos , há empresas com números positivos. A Fernandez Mera, 3º lugar no Top Imobiliário, comemora o resultado do primeiro trimestre. "Tivemos evolução de 12%", diz o vice-presidente Vinicius Leite. "A expectativa é fechar 2014 com forte crescimento."

Era esperado um início de ano mais fraco, afirma o vice-presidente da incorporadora Stan, Stefan Neuding Neto, que planeja crescer 125%. A estratégia, segundo ele, é oferecer produtos exclusivos. "O Arte Arquitetura Pinheiros teve 65% do VGV vendido", diz, referindo-se às unidades de 62 a 87m², com preço de R$ 13 mil o m². Para este ano, ele prevê R$ 790 milhões de VGV, com 6 empreendimentos. "Em 2013, foram quatro no valor de R$ 350 milhões", diz. "O cliente existe, já comprovamos isso."

Tudo o que sabemos sobre:
Top ImobiliárioImóveisConstrução

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.