Veículos elétricos começam a chegar ao mercado

De olho no futuro, pequenas e médias empresas iniciam produção de motos elétricas e ônibus híbridos

Andrea Vialli, O Estadao de S.Paulo

05 de dezembro de 2007 | 00h00

A importância que os combustíveis mais limpos vêm ganhando nos últimos tempos faz com que comecem a aparecer os primeiros fabricantes de veículos elétricos no Brasil. Embora ainda de modo incipiente, pequenas e médias empresas apostam no potencial de mercado para motos e ônibus elétricos no Brasil. Fabricantes como Motor Z, de São Bernardo do Campo (SP), Bramont, de Manaus, e GPS Electric Movement, de Natal, já colocaram no mercado as primeiras motos que podem ser abastecidas na tomada. Já a Eletra, também de São Bernardo, desenvolveu seus primeiros ônibus híbridos - movidos a eletricidade ou outro combustível, como o diesel - em 1998, e começa a ganhar espaço.Um dos impulsos para esse mercado são os testes realizados por empresas do setor de energia, que se preparam para atender a um novo negócio - o suprimento de eletricidade para esses veículos. A CPFL Energia atualmente testa cinco veículos - um carro e quatro motos - totalmente movidos a eletricidade, usados para leitura e entrega de contas de energia. A empresa já tem prontos os protótipos dos "eletropostos" - pontos de recarga das motocicletas - e tem investido, junto com fabricantes, no desenvolvimento de baterias mais eficientes. "Acredito que, de cinco a dez anos, o Brasil terá uma frota consistente de veículos elétricos, e estamos nos preparando para isso", diz Wilson Ferreira Junior, presidente da CPFL Energia. O fator limitante ainda é a pouca autonomia das baterias, que rodam cerca de 50 quilômetros com uma carga. A Motor Z lançou há oito meses três modelos de motonetas elétricas. Acaba de completar 1.000 unidades vendidas - a aposta é nos nichos de uso corporativo e consumidores com consciência ambiental. "Podemos dizer que já conquistamos 0,011% do mercado de motos nacional, partindo do zero absoluto", diz Paulo Rogério Fernandez, diretor-executivo da Motor Z. As motonetas custam entre R$ 3,7 mil - o modelo de 500 watts - e R$ 5,4 mil, a de 1.000 watts. A GPS Electric Movement tem o projeto da moto elétrica pronto há 14 anos. Foram lançados pilotos em 2003, mas só este ano as primeiras unidades chegaram ao mercado. A empresa tem uma linha de oito produtos elétricos e já atingiu a marca de 3.000 produtos vendidos, mas ainda esbarra em problemas de distribuição. "É um produto novo, mas acreditamos que a demanda por veículos elétricos deve tomar corpo nos próximos anos", diz Sebastião Arruda, dono da GPS. Já a Eletra tem 42 ônibus híbridos atualmente em circulação, todos na Grande São Paulo, e fornece sistemas de tração para 60 trólebus na cidade de Wellington, na Nova Zelândia. Também tem negociações em andamento com Portugal, Inglaterra, México e Chile. "O custo de aquisição de um ônibus híbrido ainda é 50% maior que o de um ônibus convencional, o que inibe investimentos das empresas de tranporte público", afirma Iêda Oliveira, gerente-geral da Eletra. O empenho dos fabricantes em desenvolver produtos movidos a eletricidade ainda esbarra em questões como as baterias pouco eficientes e o desconhecimento do produto. "Por enquanto, essas empresas não têm visibilidade no mercado, mas a transição já está acontecendo, e teremos uma demanda mais expressiva por esses veículos em três anos", aposta Antonio Numes Júnior, diretor da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).

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