Filipe Araújo
Filipe Araújo

Veja as polêmicas em que esteve envolvido Aldemir Bendine, novo presidente da Petrobrás

Presidente do Banco do Brasil vai deixar a instituição e assumir a estatal petroleira após a renúncia de Graça Foster; em sua gestão, BB liberou um empréstimo milionário para a socialite Val Marchiori

Malena Oliveira, Murilo Rodrigues Alves, Yolanda Fordelone, O Estado de S. Paulo

06 Fevereiro 2015 | 10h44

Aldemir Bendine foi confirmado nesta sexta-feira, 6, como o novo presidente da Petrobrás. O nome do executivo foi uma surpresa para o mercado e foi apontado pela própria Dilma Rousseff . Bendine assume a empresa após Graça Foster pedir demissão do comando da estatal e tem como principal desafio ajustar o balanço da companhie contabilizar as perdas com a corrupção.

As ações da petroleira tiveram forte queda com a confirmação de Bendine para o cargo. Para o mercado, Bendine representa a continuidade da interferência do governo na Petrobrás. 

Vice-presidente do Banco do Brasil, Ivan Monteiro vai assumir o cargo de diretor financeiro da estatal, antes ocupado por Almir Barbassa.

Imbróglios.Uma das polêmicas mais graves em que Bendine esteve envolvido foi um empréstimo do Banco do Brasil aprovado em sua gestão para a socialite Val Marchiori, no valor de R$ 2,7 milhões. A empresária é amiga pessoal de Aldemir Bendine. Por meio de nota, o banco informou não haver ilegalidade na operação

Pivô de polêmica com Bendine, Val Marchiori desejou boa sorte a Bendine e pediu que ele acabe com corrupção na Petrobrás.

No mesmo mês, rumores deram conta da saída de Bendine da presidência do banco estatal. O ministro da Fazenda, na época Guido Mantega, negou sua saída, afirmando que Bendine não estava "demissionário".

Ainda no ano passado, o executivo pagou multa de R$ 122 mil à Receita Federal após ter sido autuado por não informar a procedência de R$ 280 mil em sua declaração do Imposto de Renda. Bendine afirmou ao fisco que guardou o dinheiro em sua casa.

Em janeiro deste ano, Bendine pagou multa à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para escapar de um processo por ter violado o período de silêncio durante o IPO (oferta pública inicial de ações, em inglês) da BB Seguridade.    

Em 2012, uma disputa de poder entre Bendine e Ricardo Flores, na época presidente da Previ (fundo de pensão do Banco do Brasil) fez com que Dilma Rousseff interferisse. A presidente ameaçou demitir ambos os executivos: "Roupa suja se lava em casa", afirmou. A disputa de poder começou na Vale, apurou o Estado.

Perfil. Nome de confiança do ex-presidente Lula, Bendine se tornou presidente do Banco do Brasil em abril de 2009, quando substituiu Antonio Francisco de Lima Neto. Também foi  membro do Conselho de Administração da instituição. Assumiu a instituição na fase mais aguda da crise financeira global, com a missão de executar duas tarefas da agenda do ex-presidente Lula: ampliar a oferta de crédito para estimular a economia e liderar uma competição mais aguerrida com os bancos privados, para forçá-los a reduzir os juros. Seu antecessor não seguiu a cartilha do Planalto e foi retirado do cargo.

À frente do BB, Bendine conduziu o processo de redução dos juros e a ampliação do crédito. Como consequência, o BB aumentou a participação no mercado em meio à retração dos bancos privados. Pelos dados mais atualizados - do 3º trimestre do ano passado - o BB tem a maior carteira de crédito entre as instituições financeiras brasileiras, correspondente a 21,1% do mercado de crédito nacional. 

O BB é o maior banco da América Latina, com mais de 100 mil funcionários e mais de 60 milhões de clientes. Bendine começou no banco aos 14 anos, como office-boy num programa chamado Menor Aprendiz. Sob seu comando, o volume de ativos do BB ultrapassou a marca de R$ 1,2 trilhões. 

À frente do BB, ele não se importou com críticas de que o banco é um braço do governo na aplicação da política econômica. "Eu resgatei um pouco esse papel do Banco do Brasil enquanto agente de desenvolvimento econômico e social. Queria dizer: ele tem um papel de governo, de fato", disse, em entrevista ao Estado em agosto de 2013.  

"Sei que o mercado ainda precifica muito a gente negativamente por causa dessa possível interferência, ou intervenção, governamental", afirmou, na ocasião. "Muitas vezes, as pessoas não entendem a governança no Banco do Brasil. Hoje, ela está num nível igual ou superior à das grandes empresas brasileiras", completou.

É bacharel em administração de empresas e cursou MBA em Finanças e em Formação Geral para Altos Executivos.

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