Veja as recomendações para os investimentos com Selic estável

O resultado da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) não surpreendeu os analistas. Por decisão unânime, a Selic, a taxa básica de juros da economia, ficou mantida em 26,5% ao ano. Também como esperado, o viés de alta foi retirado. Isso significa que a taxa deve permanecer no patamar atual até a próxima reunião do Copom, que está marcada para os dias 20 e 21 de maio. ?Para os investidores, a decisão do Comitê pode ser um estímulo à aplicação em fundos de renda fixa prefixada, já que a retirada do viés é um sinal de que os juros podem cair. Mas não estou otimista em relação à rapidez e à magnitude da redução dos juros como a maioria dos analistas. Acho que o cenário externo ainda é muito incerto e pode influenciar na tendência para as taxas de juros?, afirma o economista e estrategista do Banco Modal, Alexandre Póvoa. Em períodos de queda das taxas de juros, as aplicações prefixadas tendem a apresentar uma rentabilidade superior à dos investimentos atrelados a juros pós-fixados, mas há riscos nessa opção (veja no link abaixo mais detalhes sobre as vantagens e desvantagens deste tipo de investimento).Em relação ao dólar, Póvoa acredita que a cotação da moeda norte-americana pode chegar a R$ 2,95 no curto prazo, mas até o final do ano ela pode voltar a subir. A expectativa do economista é que encerre o ano em um patamar entre R$ 3,25 e R$ 3,30, o que poderia trazer ganhos para os investimentos que acompanham o comportamento da moeda norte-americana. Porém, essa não é a recomendação de Póvoa. ?As taxas de juros estão muito elevadas. Nessa opção, o ganho deve ser superior sem que para isso o investidor precise assumir riscos?, explica. Ele avalia que a melhor alternativa para quem pretende diversificar seus investimentos neste momento é a opção pela Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Segundo ele, o desempenho das ações não acompanhou a melhora de outros ativos do mercado financeiro e, portanto, há um espaço maior para ganho. Na reunião de março do Comitê, o risco Brasil, que mede a confiança dos investidores estrangeiros na capacidade de pagamento da dívida do país, estava em 1.075 pontos. Hoje, no patamar mínimo do dia, chegou a 849 pontos. Isso significa que, naquele momento, os investidores negociavam os papéis brasileiros com uma taxa 10,75 pontos porcentuais acima dos juros norte-americanos. Hoje, essa diferença estava em 8,49 pontos porcentuais.Já o dólar comercial estava cotado a R$ 3,4680 na reunião de março. De lá para cá, a queda é de 13,49%, levando -se em conta o fechamento de hoje, de R$ 3,0000 ? cotação mais baixa desde 8 de agosto de 2002. Também na reunião anterior, o C-Bond ? principal título da dívida brasileira ? era negociado a 77,188 centavos por dólar. Há pouco, estava em 86,375 centavos por dólar ? uma valorização de 11,90%. Nas atuais condições, segundo Póvoa, o Ibovespa ? índice que mede a valorização das ações mais negociadas na Bolsa ? deveria estar entre 13 mil e 14 mil pontos. Hoje, a Bovespa fechou em 12.394 pontos. ?Não me surpreenderia se a Bolsa chegasse a 16 mil pontos no final do ano (uma possibilidade de valorização de 29,09% em relação ao fechamento de hoje), mas isso vai depender também de uma redução das taxas de juros?, explica. Perspectivas para a próxima reuniãoSegundo comunicado divulgado ao final da reunião de hoje, ainda há ?resistência a uma queda mais acentuada dos índices mensais de inflação?. Contudo, de acordo com o comunicado, ?melhoraram as perspectivas de inflação desde a última reunião?. A ata da reunião realizada hoje será divulgada na sexta-feira da próxima semana.O cumprimento da meta de inflação é o principal aspecto a ser considerado pelo Banco Central (BC) na definição das taxas de juros. Neste ano, a meta de inflação é de 8,5%. A combinação dos números otimistas e um cenário mais definido para o conflito entre os Estados Unidos e o Iraque contribui para a perspectiva de queda da inflação, já que os índices de preços são influenciados pelo comportamento do dólar.O economista e estrategista do Banco Modal não espera uma redução da Selic na próxima reunião. Segundo ele, ainda há um forte movimento de ?inércia inflacionária?. ?Uma redução da Selic deve acontecer a partir dos meses de agosto e setembro. No final do ano, ela pode estar entre 22% e 22,5% ao ano?, afirma. Já o economista Luis Afonso Lima, do BBV, em entrevista ao repórter André Palhano, destaca que os efeitos da apreciação cambial sobre os preços costumam ocorrer no mesmo trimestre do movimento cambial. Ou seja, a valorização do real frente ao dólar, que está hoje inicialmente se refletindo nos Índices de Preços no Atacado (IPAs) terá reflexos importantes nos próximos meses nos Índices de Preços ao Consumidor (IPCs). Ontem, o coordenador da Pesquisa de Preços da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Heron do Carmo, manteve a sua projeção de inflação para 2003 em 9%, apesar de revisar para cima a sua expectativa para o índice acumulado neste mês ? de 0,40% para 0,60%. Em entrevista ao repórter Francisco Carlos de Assis, ele voltou a afirmar que só mexerá na previsão anual entre junho e julho, quando já estiver claro qual será a taxa de reajuste das tarifas públicas.Póvoa não é tão otimista. Ele acredita que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e usado como referência para a meta de inflação, ficará acumulado em 11,5% neste ano, bem acima da meta de inflação.

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