Veja como Europa e Japão estão enfrentando seus déficits

Países tentam aprovar medidas de austeridade para conter gastos públicos e aumentar arrecadação.

BBC Brasil, BBC

20 de outubro de 2010 | 19h02

Governo britânico promoverá cortes para conter déficit

O governo britânico anunciou nesta terça-feira o maior pacote de cortes de gastos públicos desde a Segunda Guerra Mundial, na tentativa de economizar estimados 80 bilhões de libras (cerca de R$ 211 bilhões) em quatro anos.

O objetivo é conter o déficit público do país, calculado em 11,5% do PIB. O ministro das Finanças, George Osborne, disse que o déficit estrutural (que se mantém mesmo quando a economia está em seu máximo potencial e que deriva de problemas de longo prazo) britânico é o maior entre os países europeus.

A BBC Brasil preparou um guia com as medidas que países da Europa e o Japão vem adotando para, como o Reino Unido, combater déficits públicos crescentes e recuperar suas economias, duramente afetadas pela crise financeira global.

Grã-Bretanha

O governo de coalizão entre conservadores e liberais-democratas vem anunciando cortes que devem incluir reduções médias de 25% em cada departamento e o fechamento de 490 mil postos de trabalho no funcionalismo até o ano fiscal de 2014/15. O motivo, diz Osborne, é que "acabou o dinheiro do país".

A defesa perderá 8% de seu orçamento, 17 mil postos militares e 25 mil civis, segundo anúncio do premiê David Cameron nesta terça-feira.

Não houve manifestações populares antes dos anúncios de cortes, mas o secretário-geral do sindicato Unison, Dave Prentis, acusou o governo de "usar uma serra elétrica" contra os serviços públicos com motivações ideológicas.

França

O governo de Nicolas Sarkozy anunciou planos de cortes de gastos de 45 bilhões de euros (R$ 104 bilhões) pelos próximos três anos, para alcançar a meta de redução do déficit.

Parte desse dinheiro deve ser economizada por meio de correção de vácuos no sistema tributário e pela suspensão temporária de estímulos fiscais.

Mas a proposta que tem causado mais polêmica é a reforma da previdência, que almeja aumentar a idade mínima de aposentadoria de 60 para 62 anos. Os contribuintes donos das maiores rendas devem ser forçados a pagar 1% a mais em impostos.

Manifestantes rejeitam aumento na idade para se aposentar na França

Em reação à reforma, a França está vivendo uma onda de protestos e greves.

Irlanda

O país orçou em 45 bilhões de euros (R$ 104 bilhões) o pacote de ajuda financeira a bancos endividados, o que aumentou o buraco nas finanças irlandesas.

Com isso, o déficit orçamentário, calculado atualmente em 14,3%, deve aumentar temporariamente para 32%.

A meta original era reduzi-lo para 3% até 2014, seguindo orientações da União Europeia, por meio de economias de 7,5 bilhões de euros (R$ 17,3 bi) no período. Parlamentares da oposição dizem que um corte de 10 bilhões de euros seria mais realista.

O salário dos funcionários públicos sofreu um corte de ao menos 5%, e seus benefícios sociais foram reduzidos.

O auxílio estatal a casais com filhos também sofreu reduções.

Holanda

O governo de coalizão de centro-direita formado em 8 de outubro afirmou que deseja cortar o custos orçamentários em 18 bilhões de euros (R$ 41,6 bi) até 2015, mas não está claro se terá apoio para aprovar a medida.

Espanha

O governo aprovou um plano de austeridade para 2011 que inclui um aumento nos impostos para os mais ricos e cortes de gastos de 8%.

Madri prometeu a seus pares europeus que cortará seu déficit de 11,2% do PIB para 6% no próximo ano.

O funcionalismo sofrerá um corte salarial de 5%, e os salários serão congelados em 2011.

Um auxílio estatal de 2,5 mil euros a novas mães foi eliminado.

A Espanha viu sua taxa de desemprego dobrar para cerca de 20% desde 2007.

Grécia

Atenas prometeu um corte drástico de custos em troca de um pacote de resgate de 110 bilhões de euros (R$ 254 bilhões) que recebeu da União Europeia e do FMI.

O país começou a atacar a evasão fiscal, a corrupção nos setores públicos e os esquemas de aposentadoria antecipada.

A média de idade para se aposentar deve ser elevada de 61,4 anos para 63,5.

Endividada, Grécia tomou medidas de austeridade

Outras medidas incluem o fim de bônus para funcionários estatais, o congelamento de salários e pensões no setor público por ao menos três anos, o aumento em impostos sobre vendas de 19% para 23% e o aumento em taxas sobre combustível, bebidas e fumo.

As medidas mais drásticas resultaram em greves no setor público e em violência nas ruas de Atenas.

O país tem um déficit de 13,6% em relação ao PIB.

Romênia

O governo propôs cortes de 25% em salários e de 15% em pagamentos de aposentadorias para reduzir seu déficit orçamentário.

A economia romena encolheu mais de 7% em 2009, e o país necessitou auxílio do FMI.

São esperadas novas medidas de austeridade para cumprir com as demandas do Fundo ao receber uma nova parcela do empréstimo de 20 bilhões de euros (R$ 46 bilhões).

Itália

O governo aprovou medidas de austeridade que visam economizar 24 bilhões de euros (R$ 55,5 bilhões, ou 1,6% do PIB italiano) em 2001 e 2012.

O país também deve cortar salários públicos e congelar novas contratações. Aposentadorias do funcionalismo e gastos de governos locais também podem ser afetados.

Quem alcançar a idade para se aposentar em 2011 terá sua aposentadoria adiada em seis meses.

Alemanha

Berlim propôs cortes de 80 bilhões de euros (R$ 185 bilhões) pelos próximos quatro anos, a maior medida de austeridade adotada pelo país desde a Segunda Guerra. A chanceler (premiê) Angela Merkel disse que os alemães têm a chance de "dar o bom exemplo".

Merkel disse que Alemanha tem de dar o exemplo

O plano inclui reduções em subsídios para famílias com filhos, o fechamento de 10 mil cargos públicos e impostos mais altos em energia nuclear.

O déficit do país foi de cerca de 3% em 2009, mas projeções indicam que ele vai passar de 5% neste ano.

Portugal

O governo socialista anunciou medidas para reduzir seu déficit de 9,4% para 7,3% neste ano e 4,6% em 2011.

Salários dos funcionários públicos mais bem pagos, inclusive políticos, serão reduzidos em 5%.

Haverá aumentos de impostos, principalmente para os contribuintes de maior renda. Até 2013, os gastos militares terão de ser cortados a 40%, e o governo deve adiar investimentos em duas linhas de trem de alta velocidade.

Japão

O premiê Naoto Kan propôs aumento drástico no imposto sobre consumo nos próximos dez anos, com o objetivo de alcançar a meta de superávit primário. Mas a derrota do partido do premiê nas eleições legislativas, em julho passado, dificultará a aprovação da medida, de baixa aceitação popular.

O déficit do país gira em torno de 200%, muito superior às cifras europeias.

Neste mês, o Japão interveio em seu câmbio para conter a alta do iene, atitude inédita em quase sete anos, na tentativa de evitar a perda de competitividade de sua indústria. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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