Gabriela Bilo/Estadão
Gabriela Bilo/Estadão

Veja íntegra do voto que revisou a meta de inflação para 4,25% em 2019

Leia o documento do Banco Central explicando os motivos para a decisão após 14 anos de alvo estabelecido em 4,5%

O Estado de S.Paulo

29 Junho 2017 | 09h38

O Banco Central (BC) divulgou nesta quinta-feira, 29, o voto do Conselho Monetário Nacional (CMN), que decidiu fixar a meta de inflação de 2019 em 4,25% e a de 2020 em 4,00%.

++ Governo revisa meta de inflação após 14 anos e fixa 4,25% para 2019

Leia abaixo o voto divulgado no site do BC

"VOTO: CMN fixa a meta para a inflação em 4,25% para 2019 e em 4,00% para 2020

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou a Resolução 4.582, que fixou a meta para a inflação em 4,25% para 2019 e em 4,00% para 2020, com margem de tolerância de um e meio ponto percentual para mais ou para menos.

O Decreto nº 9.083, de 28 de junho de 2017, aperfeiçoou o sistema por meio da extensão para dois anos e meio do horizonte de fixação da meta para a inflação e seu intervalo de tolerância. Esse novo horizonte será válido a partir deste ano em diante e permite uma maior separação entre a definição da meta para a inflação e a condução da política monetária. Com isso, amplia-se a capacidade de a política monetária balizar as expectativas de inflação para prazos mais longos, o que reduz incertezas e melhora a capacidade de planejamento das famílias, empresas e governo.

A perspectiva da inflação foi beneficiada pelo redirecionamento da política econômica e a adoção de reformas e ajustes que, combinado com a condução da política monetária, permitiu reancorar as expectativas de inflação.

Os avanços na evolução da inflação têm sido consideráveis. Do pico de 10,7% no início de 2016, a variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) já recuou 7,1 p.p, chegando a 3,6% em maio último (menor patamar desde junho de 2007). As expectativas coletadas pela pesquisa Focus, conduzida pelo Banco Central, apontam para inflação inferior a 4,5% para horizontes mais longos, para os quais não há meta estabelecida. Portanto, o contexto atual constitui uma oportunidade para fixar a meta para a inflação em valores inferiores a 4,5%.

Passados dezoito anos de implantação, o sistema de metas se consolidou e ganhou maturidade que permite avançar na obtenção de taxas de inflação mais baixas de forma consolidada. Esse processo, entretanto, deve ser conduzido de forma gradual e consistente, de forma a minimizar riscos e ser sustentável ao longo do tempo. A fixação das metas para a inflação em 4,25% para 2019 e em 4,0% para 2020, com margem de tolerância de um e meio ponto percentual para mais ou para menos, é um passo nessa direção."

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