Veja os primeiros indicadores da crise financeira no Brasil

Nas últimas semanas, dados de diversos países do mundo apontaram para o risco de uma recessão acentuada nas principais economias. Balanços fracos e previsões sombrias de empresas, somados a indicadores econômicos decepcionantes, têm provocado queda nos mercados financeiros. Como prova de que a crise já é global, o Reino Unido anunciou na semana passada que o PIB do país caiu 0,5% no 3º trimestre ante o trimestre anterior. O Brasil também sofre os efeitos da turbulência financeira e a economia nacional já começa a dar os primeiros sinais de desaceleração.   Confira abaixo o desempenho dos principais indicadores do País:     Negativo   - Confiança do consumidor   O índice calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) sofreu uma forte queda em outubro, influenciada pelo pessimismo das respostas do brasileiro quanto à situação econômica. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) caiu 10% no mês, ante alta de 4,2% em setembro. A parcela dos entrevistados que avaliam, atualmente, a situação econômica local como boa caiu de 16,9% para 10,1%, de setembro para outubro. No mesmo período, o porcentual dos pesquisados que consideram a situação como ruim subiu de 34,2% para 48,2%.   - Inflação   A inflação medida pelo IPCA-15 ficou em 0,30% em outubro, ante 0,26% em setembro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O grupo alimentos e bebidas registrou alta de 0,05% em outubro, ante uma deflação de 0,25% em setembro. No ano, o IPCA-15 acumula alta de 5,28% e em 12 meses, de 6,26%.   - Balança comercial   O superávit da balança comercial no mês de outubro até a terceira semana registrou uma queda de 56,9%, pela média diária (US$ 67,2 milhões), na comparação com o mesmo período do ano passado, em função de uma desaceleração no ritmo de crescimento das exportações. Na terceira semana de outubro, a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 334 milhões. No ano, o saldo comercial acumulado soma US$ 20,530 bilhões, uma queda de 37,7% na comparação com 2007.   - Conta corrente   A conta corrente do balanço de pagamentos, que apresenta o saldo de todas as transações do País com o exterior, registrou em setembro déficit de US$ 2,769 bilhões, valor acima das previsões apuradas pela Agência Estado, que eram de resultado negativo entre US$ 2 bilhões a US$ 1,19 bilhão.     Estável   - Desemprego   A taxa de desemprego apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nas seis principais regiões metropolitanas do País ficou em 7,6% em setembro, exatamente igual a taxa de agosto. O dado de setembro, porém, veio no teto das estimativas dos analistas ouvidos pela Agência Estado, que iam de 7,3% a 7,6%.   Positivo     - Superávit primário   O setor público consolidado (governo central, governos regionais e empresas estatais) registrou superávit primário - receitas menos despesas, sem considerar o pagamento de juros -, recorde no acumulado de janeiro a agosto, somando R$ 108,409 bilhões. O valor equivale a 5,78% do PIB e é o maior para o período desde o início da série histórica, iniciada em 1991. Em igual período de 2007, o esforço fiscal do setor público somou R$ 87,669 bilhões, correspondente a 5,26% do PIB.   - Emprego com carteira   A geração de emprego com carteira assinada no País atingiu pela primeira vez na história a marca de dois milhões em um único ano. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, foram criadas, de janeiro a setembro de 2008, 2.086.570 vagas formais de trabalho. O número vinha sendo antecipado há alguns meses pelo ministro Carlos Lupi.   - Crédito   O agravamento da crise de crédito global em setembro não surtiu efeitos negativos sobre o mercado brasileiro no mês passado, período em que o saldo das operações de financiamento no País cresceu 3,5%, mostraram dados divulgados pelo Banco Central. De acordo com o levantamento, o saldo das operações de crédito do sistema financeiro nacional somaram R$ 1,148 trilhão no mês passado. O saldo corresponde a 39,1% do Produto Interno Bruto (PIB) do País. Em agosto, o saldo representava 37,9% do PIB.

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