Veja os riscos de abastecer o carro com gasolina adulterada

Com a redução do preço da gasolina, a preocupação do consumidor deve ser a qualidade do produto, já que muitos postos acabam alterando a composição do combustível. Feitas de forma grosseira ou por quadrilhas especializadas, as adulterações de combustíveis trazem uma série de problemas ao veículo. Entre as formas de modificação da gasolina estão a utilização de mais álcool do que a legislação determina, o uso de álcool de origem suspeita, e a adição de produtos como solventes de tintas. De acordo com o chefe do departamento de motores do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT-SP), Silvio Figueiredo, as adulterações mais grosseiras podem ser identificadas no próprio posto de gasolina.Para identificar a fraude, o consumidor pode exigir que o proprietário do posto realize o chamado teste da proveta, avisa Silvio Figueiredo. Neste teste o consumidor pode medir o teor de álcool presente na gasolina. ?Deve-se colocar em uma proveta de 100 ml, uma amostra de 50 ml da gasolina utilizada no posto e outros 50ml de uma solução de água e sal. O consumidor deve misturar as camadas de água e de gasolina e depois deixar um tempo em repouso?, ensina o chefe o departamento de motores do IPT-SP.A gasolina, de tom amarelado, ficará na parte de cima do frasco e a água e o álcool, de tom transparente, na parte inferior. ?O volume de álcool não deve atingir mais de 20% do volume da gasolina. Isso porque a lei determina que o porcentual máximo de mistura do álcool anidro à gasolina é de 20%?, explica Silvio Figueiredo. Fidelidade e nota fiscalA advogada da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste), Maria Inês Dolci, avisa que uma forma de evitar os prejuízos da gasolina adulterada é se manter fiel a um posto de combustível. ?O consumidor deve abastecer seu carro sempre no mesmo posto e exigir a nota fiscal?, orienta. A nota fiscal é uma prova importante, caso o consumidor sofra prejuízos materiais causados por combustível adulterado?, afirma.Maria Inês ressalta que, se o veículo sofrer danos provocados pela gasolina adulterada, o consumidor pode pedir o ressarcimento do valor do conserto ao posto que ele abastece, desde que tenha as notas fiscais. ?Se o mecânico constatar que o defeito no veículo foi provocado pelo combustível adulterado, o posto deve arcar com o prejuízo?, avisa. A advogada do Pro Teste destaca que, se o proprietário do posto se recusar a pagar o conserto, o consumidor pode recorrer à Justiça. Vale lembrar que, nas ações cujo valor da causa não ultrapasse 40 salários mínimos (R$ 8 mil), há o benefício do Juizado Especial Cível. Até 20 salários (R$ 4 mil), a presença do advogado fica dispensada. Acima destes valores, o processo é encaminhado à Justiça comum. Motor danificadoO chefe do departamento de motores do IPT-SP avisa que o combustível adulterado pode provocar diversas reações e danos ao veículo. ?Nos veículos mais novos, que usam injeção eletrônica, os problemas aparecem num prazo de médio a longo prazo. Já os carros mais antigos, que possuem carburador, são mais sensíveis a adulterações e os problemas podem acontecer mais rapidamente?, afirma. Silvio Figueiredo conta que os primeiros sintomas de problemas com gasolina adulterada são constantes falhas do motor e perda da potência. Mudanças acentuadas no consumo do veículo podem ser um indício de que a gasolina está adulterada. ?O carro passa a gastar mais com o consumo de gasolina adulterada e passa a danificar várias peças do motor?, alerta o chefe do departamento de motores do IPT-SP. Ele explica que a mistura de muito álcool à gasolina, por exemplo, pode provocar a corrosão das peças do motor.Consumidor deve denunciarA assessora de direção da Fundação Procon-SP, órgão de defesa do consumidor ligado ao governo estadual, Sônia Cristina Amaro, aconselha ao consumidor que for vítima da gasolina adulterada denunciar o estabelecimento à Agência Nacional do Petróleo (ANP). O consumidor pode registrar sua denúncia no telefone 0800-900267. Segundo a ANP, para registrar a denúncia é necessário informações como o cadastro nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) do posto, razão social, endereço, distribuidora, e a descrição do ocorrido. ?A ANP tem o poder de multar e fechar os postos que fraudam os combustíveis?, avisa a assessora de direção do Procon-SP. Se comprovada a adulteração, a ANP pode tomar as seguintes medidas: autuação, lacre da bomba, fechamento do posto e multa.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.