Velloso diz que crise tem razões também no cenário interno

O consultor Raul Velloso afirmou hoje que não há como negar que o País começa a enfrentar uma crise, acentuada na semana passada. "A taxa de risco do País, hoje, é quase o dobro da de janeiro. Isso, pra mim, é uma crise", disse ele, em entrevista na Câmara dos Deputados, após participar de um seminário promovido pelo PL.Na avaliação do consultor, não há como atribuir apenas ao cenário externo as razões da crise. Velloso citou as pressões vividas pelo governo por aumento de gastos e a indefinição em relação ao pagamento de novos "esqueletos" como alguns dos fatores internos que também justificam o comportamento extremamente volátil do mercado financeiro nos últimos dias.Segundo o consultor, essa indefinição tem gerado dúvidas entre os analistas sobre a capacidade do governo de gerar superávits primários suficientes para o pagamento desses débitos e a manutenção de uma administração equilibrada da dívida pública.Regras e endividamentoOutro elemento de incerteza considerado por Velloso é a indefinição em relação aos marcos regulatórios (regras). Além disso, ele destacou que existe uma inconsistência dentro do governo em relação ao papel do Estado na condução desses marcos. "O governo precisa dizer o que vai fazer em relação à arrecadação, aos investimentos e aos gastos correntes. Essa falta de definição é que gera incerteza."Durante sua exposição no fórum do PL, Velloso afirmou que o elevado endividamento público é o principal problema a ser enfrentado pelo governo. "Sem crises, o câmbio real está alinhado, mas temos como desafios aprofundar as reformas, gerar excedentes fiscais, por meio da contenção de gastos correntes, e viabilizar soluções do tipo proposto pelo projeto de Parceria Público-Privada", afirmou Velloso.

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