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Velloso: fim do acordo com FMI deixa "buraco negro"

A recomendação do Fundo Monetário Internacional (FMI) para que o Brasil mantenha até o final desta década uma relação saudável entre dívida pública e PIB traz luz à discussão que só tende a ganhar força nos próximos meses: o ajuste fiscal vai durar os três anos do acordo com o FMI ou veio para ficar? A opinião é do economista Raul Velloso, especialista em contas públicas. "O acordo com o Fundo está acabando (este é o último ano) e acaba sobrando uma espécie de buraco negro nessa questão do ajuste fiscal", lembra Velloso.A questão ganhará relevância à medida que se aproxime o pleito da sucessão presidencial em 2002, uma dúvida que levou a equipe econômica a antecipar metas da relação superávit primário/PIB para 2002 (2,7% do PIB) como forma de evitar maiores preocupações - e consequente volatilidade - que possam afetar de maneira negativa a condução da política econô mica atual.Reta final - "Fica a pergunta sobre o que o novo governo, a partir de 2003, vai fazer com um superávit desse tamanho". Para o economista, o fato de o governo FHC estar chegando ao período final de seu mandato reduz significativamente a possibilidade de avanços nas reformas estruturais e na continuidade do ajuste.Cita como exemplo a entrevista recente do ministro Pedro Malan, que, para ele, deixa clara a idéia de que a agenda política do governo no período não contemplará algumas discussões mais "conflituosas", caso de uma ampla reforma tributária. Com o que há em pauta, incluída a emenda constitucional para a PPE e alguns impostos de importação, além da prorrogação da CPMF e da Lei das S/A, Velloso diz que a chance de avanços por parte do governo em outras áreas é muito pequena. "Isso produz um ambiente favorável à volatilidade, que só será reforçada caso os discursos dos principais presidenciáveis tragam visões diferenciadas", avalia. Ajuste - Para o economista Raul Velloso, há outro ponto, além do tamanho do superávit futuro,i que também ganhará cada vez mais importância: o caminho para se chegar a esse superávit. "Você pode fazer isso mantendo a mesma receita e a mesma despesa, ou então reduzir as receitas mas também as despesas", aponta o economista, reafirmando a crítica de que o ajuste fiscal em curso se dá muito mais pelo lado do aumento de receitas do que pelo corte das despesas. Ele cita três motivos pelos quais considera a segunda opção indiscutivelmente mais saudável: 1) a sociedade está ficando cada vez mais cansada de pagar impostos elevados; 2) esta mesma sociedade não vê qualquer retorno para os impostos que paga e; 3) chegará um momento em que será crucial para o País ficar mais competitivo, possível apenas com uma mudança real do sistema tributário que vislumbre redução dos impostos para o set or produtivo. "É preciso que o governo mude a sua mentalidade e promova efetivamente corte de despesas", critica.

Agencia Estado,

31 de janeiro de 2001 | 17h53

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