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Vêm aí os criptoativos com lastro

O centro da nova atividade está sendo na Suíça, que em 2017 movimentou 14% do mercado mundial de ICO, que atingiu US$14 bilhões.

Fábio Gallo, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2018 | 06h00

Eu conheço o bitcoin, que é uma criptomoeda. Mas estou começando a ouvir falar em criptoativos. Vale a pena investir?

Em essência, todas essas moedas virtuais são criptoativos. Em outros termos, o bitcoin é um tipo particular de criptoativo. Mas, como tudo que acontece nesse mundo virtual, é grande a velocidade das inovações e de concepção de nomes para o que está sendo criado. Assim, nem sequer começamos a entender o que é um desses ativos e já aparece uma novidade. Para recordar, há dez anos houve a criação do bitcoin, que é uma moeda virtual sem lastro e controle – como ocorre com as moedas fiduciárias que conhecemos, como real, dólar, euro, etc. A “mineração” do bitcoin, como é conhecida a sua forma de criação, tem como base uma tecnologia conhecida como blockchain, que registra as operações em rede de forma distribuída e compartilhada para garantir a segurança das transações em determinado mercado. Hoje, estão lançadas algumas criptomoedas com lastro em outros ativos e, por essa razão, estão sendo denominadas de criptoativos. No Brasil, está sendo prevista para o primeiro trimestre de 2019 o lançamento de um criptoativo que tem lastro em uma carteira de imóveis alugados em diversas cidades espalhadas pelo mundo. A novidade é que esse lançamento vai ocorrer com base em oferta inicial, conhecida internacionalmente como ICO (Initial Coin Offering), que é uma maneira de obtenção de capital por meio de moedas digitais e da tecnologia blockchain. Nesse mecanismo, os participantes aportam moeda digital e recebem “tokens” (ativos digitais) em troca. Assim, uma pessoa física, projeto ou empresa cria uma moeda virtual que é vendida em troca de moeda fiduciária. O centro da nova atividade está sendo na Suíça, que em 2017 movimentou 14% do mercado mundial de ICO, que atingiu US$14 bilhões.

Não consigo fechar as minhas contas, tal como muitos brasileiros. O que preciso aprender para sair de vez dessa situação delicada?

A falta de educação financeira acontece com muitas pessoas, e não somente com nós, brasileiros. Isso é mostrado ao redor do mundo quando se propõe que pessoas participem de testes sobre conhecimento financeiro. De forma geral, o sistema educacional e os pais não se sentem preparados para educar os filhos na direção do consumo consciente, do investimento e da geração de poupança. Assim, vou tentar reunir de maneira breve diversas dicas que sempre falamos para que as pessoas se sintam mais à vontade com o tema. Busque investir de maneira inteligente – e isso significa planejar sua vida financeira, ser dedicado e buscar conhecimento na área. Sempre tenha na cabeça algo muito simples: gaste menos do que você ganha. Comece a poupar o quanto antes; assim, será muito mais fácil e você vai juntar mais dinheiro – use o tempo a seu favor. A base de tudo: deve haver equilíbrio entre risco e retorno. Buscar mais retorno significa ter mais risco, mas aceitar mais risco não garante mais retorno. Por causa disso, sempre que possível procure diversificar seus investimentos em diferentes produtos. Crie uma reserva para emergências, sendo que esse montante tem de estar em um produto de alta liquidez, ou seja, fácil de resgatar. Evite dívidas. Use seu cartão de crédito de maneira consciente. Pense na sua aposentadoria. Não acredite em promessas milagrosas ou em dicas de profetas – pois, na verdade, estão é querendo o seu dinheiro.

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