Amanda Perobelli/Reuters
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Vencedoras do 'Prêmio Broadcast Empresas' aceleram digital e diversificação na pandemia

Ranking com as dez companhias listadas em Bolsa mais bem colocadas em 2019 foi divulgado nesta sexta-feira; premiação completou 20 anos

O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2020 | 13h26
Atualizado 25 de setembro de 2020 | 19h33

Os planos para 2020 eram ambiciosos. Afinal de contas, as empresas de capital aberto haviam tido ótimos resultados em 2019 e as perspectivas para o ano seguinte eram promissoras. Só que veio a pandemia do coronavírus. As companhias precisaram dar um duplo twist carpado, cair de pé e ainda reinventar estratégias que priorizassem o caixa, a digitalização e as soluções inovadoras para diversificar os negócios da noite para o dia.

Esse foi o movimento comum às vencedoras do Prêmio Broadcast Empresas, anunciadas nesta sexta-feira, 25. As dez companhias listadas em Bolsa mais bem colocadas em 2019 no ranking da Agência Estado, em parceria com a plataforma de informações financeiras Economatica, acertaram o rumo com agilidade. Apesar de os dados analisados se referirem ao ano de 2019, todas elas foram rápidas na reação - muitas se prepararam para calotes e queima de caixa, sem perder de vista os planos de longo prazo.

"A retração que se pronunciava era assombrosa", disse Francisco Mesquita Neto, diretor presidente do Grupo Estado. Segundo ele, o noticiário do Broadcast e da Agência Estado, que comemora 50 anos em 2020, ajudou as empresas a se planejarem para a retomada. Enquanto a retração sem precedentes deixava economistas e empresários sem parâmetros e referências para seu trabalho, o jornalismo profissional do grupo buscou trazer a eles fontes de inspiração para a tomada de decisão, segundo Mesquita.

A grande vencedora desta edição, que marca 20 anos do ranking, é a BB Seguridade. No período em que a economia brasileira foi à lona pela pandemia - no segundo trimestre -, a holding de seguros expandiu as vendas em 20% em relação aos primeiros três meses do ano e ganhou participação de mercado na maioria das linhas. "Isso mostra resiliência", afirmou Bernardo Rothe, CEO da BB Seguridade. "Esse importante reconhecimento da gestão da companhia é um incentivo para a busca permanente de eficiência e retorno aos acionistas". A empresa também foi a vencedora na categoria Novo Mercado.

Para Fernando Exel, presidente da Economatica, no ano de 2019, as empresas de capital aberto no Brasil "em geral foram muito bem". Ele disse ter se surpreendido ao ver os indicadores do ano passado comparados com o atual período de pandemia. Alguns cálculos mostraram o País como campeão na América Latina - como, por exemplo, no indicador de rentabilidade sobre patrimônio das empresas listadas em Bolsa exceto bancos, no qual o Brasil atingiu mediana de 9,6% em 2019, acima de México (7,1%) e Chile (6,2%).

Recebem troféus as dez empresas mais bem posicionadas no ranking, além dos destaques nas categorias especiais Novo Mercado, Sustentabilidade e Small Cap, para as finalistas que figuram nos respectivos índices da B3 (IGC-NM, ISE e SMLL).

Não por acaso, a maior parte das vencedoras adota para si os princípios de ESG (ambientais, de sustentabilidade e governança, da sigla em inglês), tema da cerimônia de premiação, que teve um debate com a presença de dois especialistas no assunto: Jan Erik Saugestad, CEO da Storebrand Asset Management, líder de um grupo de fundos europeus que cobra redução do desmatamento na Amazônia; e Fabio Alperowitch, sócio-fundador da Fama Investimentos, com foco em fundos sustentáveis. "Tenho certeza de que sairemos daqui mais bem informados e esclarecidos sobre os temas de sustentabilidade ambiental, social e de governança", disse Miresh Kirtikumar, diretor-geral da Agência Estado.

A Weg, segunda colocada, também levou o prêmio especial de Sustentabilidade. A empresa tem uma iniciativa bem sucedida com novos negócios em energia eólica e saneamento. A Totvs, na quinta posição, por sua vez, ficou com o troféu Small Cap, embora tenha iniciado 2020 já como integrante do índice principal da Bolsa, o Ibovespa. Completam ainda o top ten do ranking CCR (3.ª), RD (4.ª), Cyrela (6.ª), AES Tietê (7.ª), Klabin (8.ª), Lojas Americanas (9.ª) e Fleury (10.ª).

"Estas são empresas que investiram em inovação, que acreditam no futuro", afirma Teresa Navarro, editora-chefe da Agência Estado. "Neste momento de pandemia e crise mundial é no futuro que temos de acreditar."

Metodologia

A 20.ª edição do Prêmio Broadcast Empresas teve a participação de 187 companhias com ações negociadas na B3 e selecionadas por terem patrimônio líquido acima de R$ 10 milhões, balanços divulgados no prazo previsto em lei e estarem em dia com seus credores no período analisado. Foram eliminadas empresas com desvios de governança corporativa ou ambientais no período relativo ao ranking. O levantamento analisa o desempenho das companhias de capital aberto desde 2000.

A metodologia avalia sete indicadores que fazem parte do dia a dia dos investidores e profissionais do mercado financeiro. As menores pontuações representam as melhores posições. Dessa forma, a primeira colocada em liquidez, por exemplo, recebe a nota 1. Para chegar ao resultado final, é feita uma média simples de todos os pontos obtidos nos sete critérios: a variação da rentabilidade patrimonial; pagamento de dividendos em relação ao patrimônio; índice preço/lucro (PL); preço/valor patrimonial da ação (P/VPA); oscilação da ação; volatilidade da ação; e liquidez. Cada empresa é representada pela sua ação mais líquida (ON ou PN).

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