Vencedores e perdedores após colapso de Doha

Desde o dia 21, ministros de cerca de 35 países estavam reunidos para dar continuidade às negociações

Reuters,

29 de julho de 2008 | 14h06

As conversas para resgatar uma acordo comercial mundial (Rodada Doha) fracassaram nesta terça-feira, 29, disseram autoridades. O colapso veio depois que Estados Unidos e Índia não conseguiram chegar a um acordo sobre as medidas que tinham o objetivo de ajudar países pobres a protegerem seus produtores agrícolas contra aumentos de importação, afirmou um diplomata.   A Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) foi lançada em novembro de 2001, na capital do Qatar, com o objetivo de obter maior liberalização do comércio mundial. Desde 2001, o processo foi interrompido em várias ocasiões, seja por motivos políticos ou incapacidade dos negociadores de superar impasses técnicos. Desde o dia 21, ministros de cerca de 35 países estavam reunidos em Genebra, na Suíça, para dar continuidade às negociações.Segue abaixo um resumo com os possíveis perdedores e vencedores das negociações: Indústria   Manufatureiros na Europa, Estados Unidos e outras economias desenvolvidas ficaram frustrados com as últimas propostas da OMC, pois estas geravam poucas novas oportunidades de exportações para mercados emergentes. Mas montadoras de automóveis podem se sentir aliviadas com o fim do acordo pois elas temiam que poderiam perder com as menores tarifas de importações em seus países enquanto que Índia e China poderiam proteger seus grandes mercados, à medida que suas montadoras se tornassem maiores players. Produtores químicos e têxteis em países ricos são vistos como possíveis vencedores pois países desenvolvidos encontrarão mais dificuldades para proteger seus mercados.   Manufatureiros na China e outros exportadores de baixo custo teriam um forte impulso do acordo da OMC pois as tarifas de países ricos caíriam em áreas como setor automotivo, têxtil e químico. Mas alguns especialista em comércio acreditam que os maiores fluxos de comércio poderiam levar à criação de regras mais rígidas antidumping por países ricos buscando proteger suas empresas. Serviços   Operadoras de telecomunicações, bancos, companhias seguradoras e outras provedoras de serviços esperavam que um acordo na Rodada de Doha nos elementos principais de agricultura e bens industriais levaria à consolidação final de um acordo que cobrisse também os serviços. Representantes dos setores de serviços saudaram sinais que países estavam dispostos a realizar avanços nos serviços, incluindo a disposição dos Estados Unidos e União Européia para dar mais vistos temporário para profissionais de TI e outras áreas e de alguns países em desenvolvimento que estavam dispostos a diminuir as restrições para investidores estrangeiros. Os avanços para tornar tais sinais em ofertas concretas estão agora em compasso de espera. Agricultura   Alguns grupos específicos do setor agrícola de países ricos devem estar respirando mais aliviados com o colapso das negociações da OMC. Produtores de algodão norte-americanos, produtores de carne irlandeses, plantadores de arroz na Coréia do Sul e avicultores franceses também demostraram oposição ao acordo que teria levado ao corte de tarifas ou subsídios que os protegiam contra competidores estrangeiros. Mas o fracasso das negociações representa um grande perda para produtores agrícolas nos Estados Unidos e em alguns países em desenvolvimento como Paraguai e Uruguai. Eles esperavam por novos mercados para os seus produtos especialmente nos grande mercados emergentes. Bananas   Equador, Costa Rica e outros países latino-americanos perderam com o fim de um acordo com a UE que teria derrubado fortemente as tarifas de importações para suas bananas. O acordo bilateral estava ligado ao acordo mais amplo da OMC. Exportadores rivais do Oeste da África e de alguns países caribenhos que não pagam tarifas de importações na UE, e alguns pequenos produtores franceses em territórios de Guadalupe e Martinica e nas Ilhas Canárias, eram fortemente contra um acordo sobre o assunto entre a UE e a América Latina.

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