Vencimentos pesam mais que mudança de regra e dólar sobe

Mesmo com a mudança de regras sobre o carregamento de posições compradas em dólar, anunciada anteontem, o mercado de câmbio não mostrou fôlego para inverter a tendência das cotações. A queda de 0,13% registrada ontem no dólar à vista foi pequena perante a alteração feita, segundo os próprios especialistas. Alguns afirmam que o impacto deve ser diluído pelos dias que o mercado ainda tem para se ajustar à nova regra (de passar a necessidade de capital de 50% para 75% da posição mantida em dólar). Outros afirmam que os bancos que não estavam ajustados têm pouca expressividade no mercado à vista e, portanto, o impacto seria mesmo limitado.O dólar abriu em alta forte. Às 10h16, subia 2,86%, cotado a R$ 3,835. Segundo fontes do mercado, o efeito das medidas do BC realmente esgotou-se na queda quase insignificante de ontem. Para o médio prazo, os analistas fazem coro de que a pressão de alta prevalecerá. Os fatores citados continuam sendo principalmente os vencimentos de dívida cambial, públicos e privados, que puxam a cotação pela demanda (quando a empresa compra dólar para honrar seu compromisso) e pelo interesse dos investidores em alcançar maiores lucros na hora de abandonar a posição em moeda estrangeira (quando o aplicador resolve não rolar os papéis públicos que mantém em carteira). Somente os vencimentos privados somam US$ 640 milhões na semana que vem, segundo cálculos do mercado. O vencimento público é de US$ 3,6 bilhões, no dia 17, e ontem, na segunda tentativa, o BC conseguiu rolar somente US$ 592 milhões.

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