Vencimentos seguem pressionando dólar

O dólar continua firme acima de R$ 3,70; embora alguns analistas acreditassem que as cotações pudessem ceder depois da escalada de terça-feira. O cenário eleitoral instável e indesejado pelo mercado traz pessimismo aos negócios, assim como as incertezas internacionais. Mas os vencimentos acumulados de títulos cambiais trazem um elemento circunstancial que aumenta ainda mais as tensões.Na terça-feira há novo vencimento de um grande volume de papéis cambiais de cerca de US$ 1,25 bilhão e o Banco Central pretende renovar somente 70% deste total. Com isso, já se sentem as especulações no mercado, pois a taxa de câmbio da segunda-feira corrigirá os contratos e os detentores dos papéis tentarão elevá-la. Além disso, quem não tiver os valores rolados ficará com reais, e muitos podem procurar dólares para manter a proteção cambial.E as preocupações não acabam na semana que vem. O maior vencimento de cambiais do ano ocorre dia 17 de outubro, cerca de R$ 3,62 bilhões. Logo em seguida, no dia 23 de outubro, vencem mais US$ 1,09 bilhão. O governo foi renovando muitos contratos ao longo do ano, com prazos cada vez mais curtos, evitando vencimentos depois da posse do novo presidente. Com isso, a quantidade de títulos vencendo nos últimos meses deste ano é muito grande, podendo exercer pressão crescente sobre os mercados se o cenário não melhorar.Mas a pouco mais de uma semana das eleições, o quadro ainda é muito incerto, especialmente para o candidato favorito dos mercados, José Serra (PSDB/PMDB). Não se pode prever se haverá segundo turno, ou mesmo se ele se manterá como segundo colocado, apesar de que a expectativa do mercado é um segundo turno entre Serra e Luiz Inácio Lula da Silva (PT/PL). Daí a vencer as eleições, porém, é outra batalha. Além disso, ainda não se antevê uma retomada da economia mundial e a ofensiva militar dos EUA e aliados ao Iraque continua na fase de preparativos. E as bolsas internacionais continuam operando em níveis muito baixos por conta dessas incertezas.MercadosO dólar comercial foi vendido a R$ 3,7600 nos últimos negócios do dia, em alta de 2,59% em relação às últimas operações de ontem, oscilando entre R$ 3,7100 e R$ 3,8000. Com o resultado de hoje, o dólar acumula uma alta de 62,35% no ano e 21,49% nos últimos 30 dias.No mercado de juros, os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003 negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros pagam taxas de 21,720% ao ano, frente a 21,570% ao ano ontem. Já os títulos com vencimento em julho de 2003 têm taxas de 25,750% ao ano, estáveis em relação a ontem.A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 0,99% em 9199 pontos e volume de negócios de R$ 421 milhões. Com o resultado de hoje, a Bolsa acumula uma baixa de 32,25% em 2002 e 8,89% nos últimos 30 dias. Das 50 ações que compõem o Ibovespa - índice que mede a valorização das ações mais negociadas na Bolsa -, 12 apresentaram altas. O principal destaque foram os papéis da Globocabo PN (preferenciais, sem direito a voto), com desvalorização de 11,76%. Mercados internacionais Em Nova York, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 1,98% (a 7997,1 pontos), e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York -caiu 0,06% (a 1221,61 pontos). Às 18h, o euro era negociado a US$ 0,9770; uma queda de 0,08%. Na Argentina, o índice Merval, da Bolsa de Valores de Buenos Aires, fechou em alta de 3,33% (392,76 pontos). Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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