Giuseppe Cacace/AFP
Giuseppe Cacace/AFP

Venda a chineses não afeta fábricas no Brasil, diz presidente global da Pirelli

Com quatro fábricas no Brasil, empresa avaliada em 7 bilhões de euros concentra mais de um terço de seu negócio na América Latina

FERNANDO SCHELLER, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2015 | 02h04

A italiana Pirelli anunciou nesta semana que se tornará, em breve, uma companhia de controle chinês. A ChemChina fechou a compra de 26% da companhia na segunda-feira e deverá ter pelo menos 50,1% do negócio a partir de julho. Além de dinheiro novo, os chineses trarão à Pirelli capacidade de produção suficiente para dobrar a produção de pneus para ônibus e caminhões da empresa. Isso levou a rumores de que a Pirelli poderia fechar fábricas ao redor do mundo, incluindo no Brasil. O presidente global da companhia, Marco Tronchetti Provera, negou, porém, qualquer plano de fechar unidades no País.

"Estamos no Brasil há mais de 80 anos e temos uma posição local muito forte. Nós garantimos que não vamos fechar fábricas", disse Provera em entrevista ao Estado, ontem. A questão do mercado brasileiro, frisou o executivo, não é a entrada ou não do sócio chinês na Pirelli, mas a própria crise do setor automotivo local, que sente uma forte queda nas vendas. "Há um problema no mercado brasileiro", frisou o executivo.

É por isso que, embora descarte o fechamento de fábricas por causa de uma reorganização global, a Pirelli deverá fazer cortes na operação brasileira para se ajustar à demanda mais fraca. De acordo com a Federação Nacional dos Distribuidores de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas totais de veículos - incluindo caminhões, ônibus e tratores - caíram mais de 26% em relação ao mesmo período do ano passado.

Por isso, todas as montadoras estão fazendo ajustes, com demissões, férias coletivas e suspensões de contratos de trabalho. A Pirelli, que depende basicamente da demanda dessas fabricantes, já anunciou que deverá fazer o mesmo, embora ainda não tenha definido o tamanho do corte.

Prioridades. Segundo Provera, o produto chinês - que ganhará o "upgrade" da tecnologia desenvolvida pela Pirelli - não deverá disputar o mercado brasileiro, onde a empresa mantém quatro fábricas e produz quase toda a sua linha de produtos.

As fábricas de Feira de Santana (BA), Gravataí (RS), Campinas e Santo André (ambas em São Paulo) concentram hoje cerca de 12 mil funcionários. A América Latina é, ao lado da Europa, o principal mercado da Pirelli, concentrando 34% das vendas. O Brasil basicamente concentra quase a totalidade da produção para a região, embora a companhia mantenha fábricas de pequeno porte na Argentina e na Venezuela.

O sócio chinês trará à Pirelli uma fatia maior do mercado chinês e também pode ser uma porta de entrada no mercado americano, onde a Pirelli não tem presença relevante.

Ao se associar à ChemChina, explicou o executivo, a empresa dobra sua presença global no segmento industrial, que concentra pneus para caminhões, ônibus e tratores. "Eles têm porte na China, mas os produtos são de baixo valor. Agora, eles ganham acesso à nossa tecnologia", explicou Provera.

Reorganização societária. A fatia de 26,2% relativa ao acordo fechado esta semana pertencia à Camfin, uma holding que tinha como sócio principal o próprio presidente global da Pirelli. A ChemChina pagou 15 por ação da Pirelli, em um negócio que avaliou a italiana em 7,1 bilhões. O grupo de Provera deverá participar, ao lado da ChemChina, da operação de fechamento de capital da companhia, previsto para julho. Dependendo da receptividade do mercado para a operação, a fatia chinesa na Pirelli deverá variar de 50,1% a 65%.

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