Venda compensou IPI menor, diz Indústria

Governo decide prorrogação nos próximos dias

CLEIDE SILVA, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2012 | 03h09

Com campanhas anunciando o "último fim de semana de IPI reduzido", as montadoras atraíram milhares de consumidores aos feirões realizados no fim de semana. Algumas marcas prorrogaram as promoções até sexta-feira, data em que a redução do imposto está prevista para acabar. Nos bastidores, porém, a indústria trabalha com a prorrogação até o fim do ano, ou, no mínimo, até outubro.

O argumento levado ao governo é o de que a medida reverteu a queda das vendas, que era de 4,8% no acumulado de janeiro a maio ante igual período de 2011, para uma alta de 3,2% no acumulado até sexta-feira, com 2,394 milhões de veículos vendidos, sendo 2,285 milhões de automóveis e comerciais leves.

Esses números não incluem o fim de semana, que foi movimentado, segundo lojistas. Agosto deve ser o melhor mês da história do setor, com números próximos a 400 mil unidades vendidas. Nos 18 dias úteis do mês, foram licenciados em média 17.415 veículos por dia.

Outro argumento é o de que a arrecadação de impostos em geral compensou a queda do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostram que, em junho e julho, a média diária de arrecadação do IPI caiu 20,8% em relação a maio, antes do corte, em vigor a partir do dia 22.

Já as arrecadações de PIS/Cofins, ICMS e IPVA aumentaram, respectivamente, 10,4%, 9,2% e 12,5%. No saldo, foram gerados diariamente em junho e julho R$ 187,8 mil em impostos com automóveis, pouco acima da média de maio, de R$ 186,7 mil.

"A indústria como um todo, e não só a automotiva, estava parada e não acredito que o governo vai correr o risco de apagar a chama acendida com o corte do IPI", disse um executivo de uma das montadoras.

Amanhã, o governo deve se reunir com dirigentes das montadoras para discutir como será a prorrogação. Da última vez que a medida foi adotada, entre dezembro de 2008 e março de 2011, a volta da alíquota foi gradual.

O corte do IPI, que zerou o imposto para modelos com motor 1.0 e diminuiu à metade a alíquota para versões até 2.0, resultou em redução média de 5% a 10% no preço do carro. As empresas também dão descontos extras e se comprometeram em manter o nível de emprego. Desde maio, o setor abriu 2,7 mil vagas.

Outro tema que será discutido entre montadoras e governo são medidas para o segmento de caminhões e ônibus. Enquanto no acumulado do ano as vendas de carros e comerciais leves cresceram 4,5% até agora, as de veículos pesados caíram 18,7%.

Promoção mantida. A rede Volkswagen vendeu no sábado e domingo 1.610 veículos somente na Grande São Paulo. Antes da redução do IPI, a média era de mil unidades por feirão, volume que subiu para 1,2 mil após o benefício.

A Volkswagen estendeu até sexta-feira as promoções do fim de semana. Compradores do Fox, por exemplo, ganham aparelho de GPS e IPVA grátis. A versão 1.0 desse modelo, com vários opcionais, é oferecida com desconto extra de R$ 2 mil e sai por R$ 33,5 mil.

A General Motors manteve algumas das promoções, como a do Celta LT quatro portas com vários opcionais, vendido a R$ 27.990. Na tabela, a versão custa R$ 29.607 e pode ser adquirida com entrada de 60% e 12 parcelas sem juros.

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