Venda cresce 9,1% na Páscoa, apesar do aperto no crédito

Aumento registrado na semana da Páscoa deste ano é superior à de 2010, que foi de 0,7%, aponta a Serasa Experian

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2011 | 00h00

O desempenho de vendas da Páscoa, a primeira data comemorativa deste ano para o varejo, mostra que o consumo das famílias segue firme e forte, apesar de todas as iniciativas já tomadas pelo governo desde o fim do ano passado para reduzir o ritmo de atividade da economia.

Pesquisa da Serasa Experian, feita a partir das consultas de varejistas para compras a prazo e à vista, revela que as vendas cresceram 9,1% na semana da Páscoa na comparação com o mesmo período do ano passado. Na semana da Páscoa do ano passado, a taxa de crescimento havia sido menor em relação ao período correspondente de 2009: 0,7%.

"O conjunto de medidas para desaquecer o consumo não surtiram efeito. O consumidor ainda não colocou o pé no freio nas compras", observa o assessor econômico da Serasa Experian e responsável pela pesquisa, Carlos Henrique de Almeida.

Nem mesmo o feriado prolongado atrapalhou as compras. Na prática, ocorreu uma antecipação de consumo. Isto é, o consumidor optou por ir às compras de itens de Páscoa entre segunda e quinta-feira da semana passada. Em 2010, o movimento foi exatamente inverso. Isto é, o maior ritmo de crescimento do consumo havia sido registrado no fim de semana.

Além do fato de o consumidor continuar otimista com a renda e o emprego, outro pilar que sustentou o desempenho de vendas na Páscoa deste foi a promoção. "Houve muita opção de preço e parcelamento", diz Almeida.

O Grupo Pão de Açúcar, por exemplo, obteve um acréscimo de 35% nas vendas de bacalhau em relação ao ano anterior. De acordo com a empresa, um fator que explica essa taxa de crescimento é o preço do produto cerca de 10% menor na comparação anual. No geral, a rede ampliou em 12% as vendas na semana de Páscoa relação ao mesmo período de 2010.

Mães. Na análise de Almeida, da Serasa Experian, o fiel da balança para avaliar se o consumo está desacelerando ou não será o resultado de vendas do Dia das Mães. A data é a segunda maior em vendas depois do Natal.

Se depender da expectativa dos lojistas, o governo terá de tomar novas medidas macroprudenciais para esfriar a demanda. Pesquisa da Serasa Experian com 961 executivos do varejo nacional revela que 59% deles projetam crescimento de vendas entre 6% e 9% no Dia das Mães deste ano em relação ao de 2010. No ano passado, o resultado não foi muito diferente: 60% dos executivos entrevistados esperavam um acréscimo na faixa de 10%.

Expectativa

59%

é a fatia dos executivos do varejo que projetam alta de vendas entre 6% e 9% no Dia das Mães

60%

dos executivos projetavam alta de 10% no Dia das Mães de 2010

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