Venda da Bolsa de NY reabre discussão sobre disputa por Cetip

ICE, que comprou a Bolsa de Nova York, é a maior acionista individual da empresa, com fatia de 12,3%

ALINE BRONZATI, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2012 | 02h07

A compra da Bolsa de Nova York pela ICE traz de volta a possibilidade de a Cetip ser alvo de aquisição para a constituição de uma grande bolsa no Brasil. Os principais candidatos seriam, conforme relatório do banco Barclays enviado ontem a clientes, a ICE e a BM&F Bovespa.

A ICE tem 12,3% e é a maior acionista da Cetip - a principal central de negócios com títulos de renda fixa da América Latina, que quer atuar também como Bolsa de Valores no Brasil.

A participação da ICE na Cetip, segundo relatório do Barclays, parece grande demais para algo como um "acordo estratégico" e pequena demais para um investimento minoritário. Para Marcelo Henriques, analista do BTG Pactual, a bolsa não deve fazer um movimento de fusão com a concorrente. Isso porque, segundo ele, a BM&FBovespa está confiante de que pode replicar o negócio da Cetip.

O Barclays não aposta em uma transação no curto prazo, mas destaca que a Cetip continua sendo uma porta de entrada caso a nova empresa resultante da junção da ICE com a Nyse siga com o seu projeto de expansão para outras regiões. Neste caso, a ameaça de concorrência para a BM&FBovespa, tanto em derivativos quanto em ações, aumenta.

Sobre o impacto do negócio na Cetip, Henriques, do BTG, destaca, em relatório enviado a clientes, que a ICE está mais focada nos EUA e pode esperar resultados mais consistentes da concorrência entre a BM&FBovespa e a Cetip no Brasil antes de investir de maneira mais agressiva no País. Ele também lembra que instituições como Bradesco e Banco do Brasil estão mais inclinadas a migrarem os seus negócios para a BM&FBovespa.

Negócios semelhantes. BM&FBovespa e Cetip são, cada vez mais, espelho uma da outra. A bolsa está prestes a começar a registrar instrumentos de renda fixa, tais como Certificado de Depósito Bancário (CDB) e LCI. A companhia já recebeu autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e aguarda apenas o aval do BC.

Já a Cetip, que passou por um processo de profissionalização durante o período em que teve o fundo Advent como sócio, decidiu se tornar uma operadora de bolsa. O foco é atuar com contratos de derivativos que ainda não existem no Brasil. O prazo de implementação pode durar, segundo informou recentemente à imprensa, Francisco Carlos Gomes, diretor vice-presidente de Relações com Investidores da Cetip, cerca de 18 meses.

A cobiça em cima da Cetip não vem de hoje. O interesse da BM&FBovespa foi levantado antes mesmo de a Cetip abrir o capital, em 2009. Na ocasião, os negócios ficaram apenas em conversas preliminares. Recentemente, a empresa atraiu o interesse de players internacionais como uma alternativa lógica para concorrer com a BM&FBovespa.

A principal barreira de entrada para novas bolsas no Brasil é a Câmara Brasileira de Liquidação e Custódia da bolsa (CBLC). Neste caso, a Cetip também seria a opção mais viável para o ingresso de uma concorrente. A empresa recebeu autorização do BC para seguir adiante com a criação de uma câmara de compensação e liquidação (clearing) para atuar como contraparte central no empréstimos de ativos e derivativos de balcão. Além disso, é mais fácil ajustar uma estrutura do que começar do zero.

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