Venda da Opel à Magna é criticada na Europa

Países da UE questionam ajuda oferecida pelo governo alemão para fechar o negócio, que prevê corte de empregos, com grupo canadense

Agências internacionais, FRANKFURT e BRUXELAS, O Estadao de S.Paulo

14 de setembro de 2009 | 00h00

O acordo fechado pela indústria de autopeças canadense Magna para comprar a marca Opel, que pertence à General Motors, deve enfrentar alguns obstáculos esta semana. Isso por causa do intenso questionamento sobre a ajuda dada pelo governo da Alemanha, e após lideranças sindicais exigirem um limite aos cortes de empregos. As críticas representam uma dor de cabeça para o plano da Magna e seus aliados russos, em um acordo que adotou características políticas para transformar a atribulada Opel em uma potência do mercado de automóveis.

O ex-primeiro ministro da Bélgica Guy Verhofstadt disse à agência de notícias Reuters que havia pedido ao presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, que assegure que o acordo não vá favorecer a Alemanha, em prejuízo de outros países, como Bélgica e Grã-Bretanha, que também possuem fábricas da GM.

O assunto será levado em consideração hoje, quando o Parlamento Europeu debater a transação da Opel, a pedido de Verhofstadt, líder dos liberais que constituem o terceiro maior grupo da assembleia da União Europeia.

"A ajuda financeira foi oferecida por um país que quis garantir que as fábricas em seu território não fechem as portas. Isso vai contra as normas da UE", afirmou Verhofstadt, que se queixou de que a Comissão Europeia deveria ter questionado as negociações da Opel.

NEGOCIAÇÃO

Na semana passada, a GM concordou em vender uma participação de 55% na Opel à Magna e ao russo Sberbank, cedendo finalmente aos apelos da Alemanha após meses de intensas negociações.

Sua decisão de escolher a Magna, em vez da RHJ, empresa belga de investimentos, foi uma bênção política para a chanceler alemã Angela Merkel, pouco antes das eleições de 27 de setembro. Angela havia dado forte respaldo à oferta da Magna e prometido ajuda estatal para fechar o negócio.

A Alemanha está colocando mais de 4,5 bilhões em garantias estatais para fechar um acordo que, ao que se espera, preserve empregos na Alemanha, onde está localizada metade da força de trabalho da Opel.

É esperado que outros países, incluindo Grã-Bretanha, Bélgica e Espanha, contribuam com a ajuda, mas as quantias não estavam estabelecidas, enquanto os países aguardam detalhes sobre onde ficarão as fábricas e os empregos.

MAIS CORTES

O plano original da Magna previa o corte de cerca de 10 mil dos 50 mil trabalhadores da Opel. Cerca de 2,5 mil empregos seriam reduzidos só na Alemanha. A revista alemã Der Spiegel publicou que a Magna tinha planos de reduzir 3 mil empregos da linha de montagem e outros 1,1 mil empregos administrativos na Alemanha. Já o jornal Frankfurter Allgemeine Sonntagszeitung afirma que serão 4,5 mil empregos cortados na Alemanha.

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