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Venda da Quattor levanta dúvidas sobre reestatização

Temor de que monopólio petroquímico negociado pela Petrobrás seja visto como estatizante complica acordo

André Magnabosco e Irany Tereza, O Estadao de S.Paulo

25 de agosto de 2009 | 00h00

O caráter reestatizante que pode ganhar o acordo costurado entre Petrobrás, Braskem e Quattor para a formação de um único grupo petroquímico é um dos complicadores da negociação. A preocupação é maior na própria Petrobrás, por causa da polêmica que pode criar em período pré-eleitoral. Segundo uma fonte envolvida nas negociações, a estatal pretende adotar o mesmo conceito de "minoritário com participação estratégica" usado há pouco mais de um ano, quando se associou à Unipar para criar a Quattor.Tentará também atrelar o acordo à definição da participação privada no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). A estatal estuda um aporte bilionário na Quattor para tornar viável a incorporação da empresa pela Braskem. No mercado está sendo especulada a cifra de R$ 3 bilhões, mas ainda não há definição de valores, segundo a fonte. Iniciadas este mês, as negociações ainda são embrionárias, segundo comentou.Hoje, a Petrobrás é acionista da Quattor com 40%, ao lado da família Geyer, da Unipar, com os outros 60%. Na Braskem, a estatal tem 30%, associada ao grupo Odebrecht, majoritário. "A concentração que se desenha era previsível, num segmento em que a economia de escala é absolutamente crucial. Também era natural a participação da Petrobrás numa verticalização que se repete em quase todas as empresas petrolíferas. Será um ganho para o País, embora quem sofra com isso é o consumidor de plástico", avalia o professor da Unicamp Rodrigo Sabbatini.No acordo concluído no ano passado, a Petrobrás comprou o segmento petroquímico do grupo Ultra, associou-se à Braskem e formou uma nova empresa com a Unipar. A estatal, que havia se retirado da petroquímica há mais de dez anos, justificou o movimento na ocasião sob a alegação de que o setor estava excessivamente pulverizado no País e tinha de ganhar escala para competir no mercado internacional. O Comperj fez parte das entrelinhas da negociação, embora não houvesse cláusula específica sobre o projeto, o maior investimento isolado da Petrobrás, calculado inicialmente em US$ 8,4 bilhões - orçamento que está sendo revisto para cima. Embora a obra já tenha começado há cerca de um ano, ainda não foi definida a participação privada no projeto, que vem sendo tocado apenas pela Petrobrás.A eventual incorporação da Quattor pela Braskem, processo que criaria uma gigante do mercado doméstico de resinas termoplásticas (polietilenos, polipropileno e PVC), traz expectativas e preocupações ao mercado consumidor do produto. "A criação de uma companhia de porte multinacional significa que podemos ter uma condição mais atrativa para comprarmos nossos produtos", destacou o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), Merheg Cachum, referindo-se à aquisição de resinas termoplásticas (polietilenos, polipropileno e PVC) pelos transformadores.Ontem, a Petrobrás divulgou nota ratificando comunicado da Braskem do dia anterior sobre uma possível compra da Quattor. "A nota informa que embora haja diálogo entre os acionistas da Braskem e da Quattor para identificar eventuais oportunidades de alianças estratégicas, não há até o presente momento nenhum resultado concreto ou compromisso, ainda que preliminar, nem prazo previsto para a conclusão desses entendimentos", disse a estatal, comprometendo-se a manter o mercado informado sobre eventual conclusão desses entendimentos.Para empresários do setor, apesar de disputarem o mercado doméstico, Braskem e Quattor praticamente não promovem uma batalha comercial. Por isso, a indústria consumidora - os chamados "transformadores" - acredita que a criação de um monopólio, no lugar do atual duopólio do setor, não traria grandes mudanças para a terceira geração da cadeia petroquímica, formada por mais de 11 mil transformadores plásticos.Rogério Mani, executivo do setor e ex-presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Embalagens Plásticas Flexíveis (Abief), lembra que os preços das duas empresas são muito semelhantes. Por isso, o mais importante para os transformadores é saber como essa nova empresa vai agir em relação aos fabricantes de produtos plásticos. "O monopólio é pior do que o duopólio, evidentemente, mas o mais importante é a criação de condições mais competitivas para o setor."

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