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Venda da TIM ainda é esperada por analistas

Mesmo após Telecom Itália ter negado que pretendia se desfazer da tele brasileira, mercado espera venda para reduzir endividamento do grupo

RODRIGO PETRY, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2013 | 02h14

A venda da TIM Brasil segue no radar do mercado, mesmo após a direção da Telecom Itália (TI) afirmar que não pretende se desfazer da operação brasileira, considerada essencial ao grupo, ao menos neste momento. Para reduzir seu endividamento e fazer caixa no curto prazo, a operadora italiana anunciou uma série de medidas, como a venda de sua participação na Argentina Telecom, de torres de celular no Brasil e na Itália, além da emissão de 1,3 bilhão em bônus conversíveis.

Analistas do setor que acompanham a empresa, por outro lado, escreveram em relatórios distribuídos a clientes ontem que a possibilidade de venda continua. "Os gatilhos para a venda da TIM Brasil permanecem, apesar de sua iminência ter sido reduzida", afirmaram Susana Salaru e Gregorio Tomassi, do Itaú BBA.

A Telefônica - maior acionista da Telco, holding controladora da Telecom Itália - poderá exercer em 2014 um direito de conversões de ações, que dará aos espanhóis a possibilidade de atingir uma fatia de até 70% do capital total da empresa italiana, destacaram os analistas do Itaú.

Caso isso ocorra, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) poderiam obrigar a venda da TIM, "por questões de concentração de mercado", uma vez que a Telefônica já controla a Vivo. Juntas, TIM e Vivo têm mais de 55% do mercado de telefonia celular.

O banco JPMorgan também avalia que as chances de venda seguem firmes. "A decisão de venda (da TIM) está nas mãos da Telefônica, que terá a maioria dos assentos no conselho da Telecom Itália e essa venda não necessariamente precisava ser apresentada aos acionistas juntamente com o plano industrial da Telecom Itália", escreveram os analistas Andre Baggio e Marcelo Santos.

Segundo os especialistas do JPMorgan o principal obstáculo para a venda da TIM é a questão regulatória. Uma vez que a Telefônica consiga transpor os obstáculos regulatórios do processo, ela poderá anunciar a venda da operadora brasileira, afirmaram.

A venda da TIM precisaria passar ainda por uma decisão política, acrescentam os analistas. Quando a Telefônica anunciou o aumento de participação na Telco, holding que administra a Telecom Itália, o Ministério das Comunicações e a Anatel se posicionaram negativamente à negociação, enquanto a presidente Dilma Rousseff contrariou essas declarações afirmando que esta não era a posição do governo brasileiro.

O presidente da Telecom Itália, Marco Patuano, destacou a investidores e analistas que a subsidiária brasileira é um ativo importante para o grupo e só consideraria vendê-lo por um preço "convincente". Segundo ele, porém, a Tim "é um ativo central, mas os ativos centrais também têm um preço".

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