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Venda de ações deve seguir estratégia

Na gestão de uma carteira de investimentos, nossas atitudes de compra e venda de títulos devem seguir uma estratégia para que seja possível atingir resultados mais efetivos

Fábio Gallo, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2019 | 05h00

Tenho dúvidas quando a Bolsa sobe muito, pois mesmo não precisando vender ações, leio sobre “realizar lucros”. Vale a pena eu me desfazer de meu investimento para, por exemplo, trocar de carro em um momento de valorização? 

Agir sem ter estratégia não é correto, principalmente se os recursos resultantes não são necessários de imediato. Na gestão de uma carteira de investimentos, nossas atitudes de compra e venda de títulos devem seguir uma estratégia para que seja possível atingir resultados mais efetivos. Vender um título, de renda fixa ou variável, no mínimo traz o risco do reinvestimento, que é a possibilidade de o ativo a ser comprado não trazer o mesmo retorno do anterior, deteriorando o retorno da carteira como um todo. A venda de uma ação que estava no lucro, vai gerar potencial pagamento de tributo de ganho de capital, o grau de risco da carteira será alterado, o resultado da venda deverá ser usado de alguma forma, etc. Realizar lucro é algo positivo se for porque você estudou ou se informou sobre aquele título e não acredita que ele tenha sustentação de preço. A venda será para que aquela ação seja substituída por outra que mantenha a diversificação e consequente grau de risco da carteira. Caso você tenha estratégia passiva de buscar replicar um índice de ações, a alienação de um título deverá ser seguida da compra de outro que mantenha essa referência. Vender ações para comprar um bem, como um carro, revela falha na gestão de investimentos. Há formas mais apropriadas de aplicar seu dinheiro para esse objetivo. A venda de ações sem motivação coerente poderá destruir a geração de ganhos da carteira. No geral, a manutenção de uma carteira de ações deve ter a perspectiva de longo prazo, visando objetivos que devem ser atingidos em anos.

Desde 1971, quando comprei 100 ações PN do Bradesco, venho subscrevendo novas ações sempre que o banco distribui dividendos, oferecendo também subscrição de novas ações, no valor semelhante à importância paga. Entretanto, aos 78 anos, penso que é hora de usufruir dessa poupança e gostaria de vender essas ações. Como será calculado e cobrado o imposto sobre essa venda?

Parabéns pela dedicação, com certeza você acumulou um bom patrimônio ao longo desses quase 50 anos de investimentos. A Receita Federal determina que o ganho líquido da alienação das ações será obtido pela diferença entre o valor da venda e o custo médio das ações vendidas, sendo que o imposto sobre o ganho de capital é de 15% para as vendas de ações acumuladas no mês acima de R$ 20 mil e imposto de renda retido na fonte de 0,005%. O preço médio é calculado pela média ponderada dos custos unitários, por espécie de ação. Na apuração dos custos, além do preço pago pelo lote de ações, devem ser somados os gastos com corretagem, emolumentos e taxas. Teoricamente é fácil, mas a apuração do valor de cada compra vai demandar ter todos os extratos com os dados necessários.

Devem entrar no cálculo as bonificações em ações recebidas e os desdobramentos do número de ações ocorrido, mas não há preocupação com dividendos que são isentos e juros sobre o capital próprio em que o imposto é retido na fonte. A corretora deve ajudá-lo a obter os extratos. A apuração de todos os valores vai dar trabalho: em 1971 a moeda era o cruzeiro, a partir de 86 tivemos o cruzado, na sequência, o cruzado novo (89), o cruzeiro (90), o cruzeiro real (93) e finalmente em 1994 o real. Mas o importante é o resultado de seu investimento. Aproveite a vida e seja feliz.

*ANTONIO PENTEADO MENDONÇA É SÓCIO DE PENTEADO MENDONÇA E CHAR ADVOCACIA E SECRETÁRIO-GERAL DA ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS

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