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Venda de adubos cresce no Brasil, mas endividamento preocupa

As vendas de fertilizantes no Brasil tiveram um crescimento de 62% no primeiro semestre deste ano, para 9,39 milhões de toneladas, em relação ao mesmo período de 2006, informou a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda).Em junho, o aumento das entregas também se manteve elevado, para 1,811 milhão de toneladas, com alta de 65,9% em relação ao mesmo mês do ano passado. Mas o desempenho do setor tanto no mês quanto no semestre é visto com cautela por analistas, pois a base de comparação de 2006 não é das melhores - no ano passado, o setor ainda estava contaminado pela crise no campo gerada em safras anteriores.Segundo a consultoria Agroconsult, no primeiro semestre as vendas foram favorecidas pelo bom desempenho do milho segunda safra, pelo setor de cana-de-açúcar, que não foi afetado pela crise, e também pela antecipação de compras para a safra de verão de grãos, feitas por grandes produtores, que estão mais aptos a realizar trocas com as tradings da colheita futura por adubos."O endividamento foi driblado no primeiro semestre. Em geral, quem compra no primeiro semestre é o mais capitalizado", disse o analista da Agroconsult, Cleber Viera, referindo-se aos negócios feitos antecipadamente por produtores de soja, que começam a plantar em outubro."No segundo semestre vai aparecer mais a questão do endividamento", disse ele, observando que os negócios a partir de agora estariam mais relacionados a produtores que não conseguiram fazer antecipação de compras, por não terem recursos suficientes ou por não estarem em dia com os pagamentos junto às empresas.Em safras anteriores, os agricultores deixaram de pagar parte de suas dívidas pelo problema da valorização do real frente ao dólar, que reduziu os rendimentos do setor, e devido a expressivas quebras de produtividade por adversidades climáticas.Segundo a Agroconsult, a dívida dos agricultores brasileiros com empresas de adubos e defensivos, referente às safras 2004/05 e 2005/06, gira em torno de 4 bilhões de reais.     Preços favorecem  Segundo o analista da Agroconsult, um bom parâmetro para a comparação das vendas do primeiro semestre é o ano de 2004, o último período em que o setor registrou um bom crescimento de vendas, antes de a crise se instalar.Em relação ao primeiro semetre de 2004, as vendas aumentaram quase 16 por cento cento, segundo o analista da consultoria.Também colaboraram com o crescimento das vendas no primeiro semestre os preços internacionais das commodities elevados historicamente, em meio à alta de custo dos fertilizantes.A Anda tem afirmado que os preços do adubo estão mais elevados este ano, mesmo com o câmbio relativamente favorável às importações, por conta de uma alta internacional do produto - o Brasil importa a maior parte de seu consumo.No primeiro semestre, os produtores precisaram de 21,3 sacas de soja (60 kg cada) para comprar uma tonelada de fertilizante, ante 20,4 sacas em 2006 e 19,6 sacas em 2005, de acordo com a Anda.No caso do milho, a relação de troca também está desfavorável ao produtor, sendo necessárias 42,3 sacas de milho para a aquisição de uma tonelada de adubo, ante 39,3 sacas e 40,1 sacas em 2006 e 2005, respectivamente.(Por Roberto Samora)

ROBERTO SAMORA, REUTERS

24 de julho de 2007 | 14h17

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