Venda de Âmbar e Moy Park avança

Família Batista está em negociações adiantadas para se desfazer de empresa de energia e indústria de carne processada com sede na Irlanda

Mônica Scaramuzzo, Impresso

02 Setembro 2017 | 17h00

A venda da Eldorado Papel e Celulose não encerra o processo de desinvestimentos da família Batista. O grupo também está em negociações avançadas para se desfazer de sua linha de transmissão de energia, que faz parte da empresa Âmbar, e também da Moy Park, empresa de carne processada, com sede na Irlanda, apurou o Estado.

Fontes a par do assunto afirmaram ao Estado que a gestora canadense Brookfield, que tem adquirido diversas operações de energia no Brasil e ativos envolvidos na Lava Jato, deverá desembolsar cerca de R$ 900 milhões pela Âmbar. Procurada, a gestora e a J&F não comentam o assunto.

Nas últimas semanas, a Âmbar Energia está em litígio com a Petrobrás por conta de um rompimento de contrato de fornecimento de gás por parte da estatal para uma de uma das termelétricas da empresa, no Mato Grosso. A Petrobrás alega violação de cláusula contratual que trata de legislação anticorrupção, após as delações premiadas dos executivos e controladores do grupo J&F.

Já as negociações para a venda da Moy Park, ativo avaliado em mais de US$ 1 bilhão, também devem ser concluídas até o início de outubro, disseram fontes. Grupos europeus e asiáticos estão avaliando o ativo e devem fazer propostas firmes nos próximos dias. A JBS não comenta o assunto.

De acordo com fontes próximas à família Batista, após a venda da Eldorado e desses outros dois ativos, a família ganha fôlego para fazer frente aos pagamentos da multa do acordo de leniência de R$ 10,3 bilhões. A companhia também está em conversas com bancos para realongar dívidas de aproximadamente R$ 20 bilhões.

Pragmáticos, os irmãos Joesley e Wesley Batista passaram a negociar diretamente a venda de seus negócios com investidores interessados em seus ativos. A exceção foi a Vigor, que contou com a assessoria do Bradesco e Santander. Já a Âmbar é assessorada pelo BTG.

Concentração. No caso da Eldorado, houve uma disputa competitiva, com vários interessados – entre eles, sua maior rival Fibria. Os controladores não cederam em preço, o que afugentou a companhia controlada pelo grupo Votorantim e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que não estava disposta a pagar mais do que R$ 13 bilhões pelo negócio.

Fontes do setor afirmam que a venda da Eldorado para um grupo estrangeiro coloca de novo em pauta uma possível fusão entre Fibria e Suzano, operação considerada um caminho natural pelo mercado. O Estado apurou que não há negociações neste sentido ainda.

A família colocou à venda também uma empresa de confinamento de gado nos EUA. Ainda de acordo com pessoas próximas ao grupo, os Batista vão tentar preservar empresas brasileiras, como a Seara, e as principais processadoras de carne dos EUA. A receita do grupo no exterior é maior que as operações brasileiras.

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