Venda de ativos dará fôlego ao caixa da Oi

Empresa deverá reduzir dívida pela metade eter condições de disputar uma fatia da TIM

MÔNICA SCARAMUZZO / SÃO PAULO, MARIANA SALLOWICZ / RIO, O Estado de S.Paulo

02 Dezembro 2014 | 02h05

A venda dos ativos portugueses da Portugal Telecom (PT) para a francesa Altice deverá reduzir quase pela metade a dívida da Oi, de quase R$ 48 bilhões, e acelerar o processo de consolidação da companhia no País, afirmaram fontes próximas ao assunto. No domingo, o grupo do milionário franco-israelense Patrick Drahi informou que está negociando os ativos por 7,4 bilhões. A Oi confirmou, em fato relevante, que firmou contrato de exclusividade de 90 dias para que as empresas cheguem a um acordo.

A proposta do grupo francês, que originalmente era 7,025 bilhões, inclui 500 milhões de pagamento diferido, mas exclui caixa e dívidas. A oferta ficou acima da apresentada pelos fundos Apax Partners e Bain Capital, que firmaram consórcio com a portuguesa Semapa. Apesar de o acordo de exclusividade ter sido firmado entre Oi e Altice, os fundos estão dispostos a elevar a proposta. "Existe a vontade e disponibilidade dos fundos de apresentar uma terceira proposta", diz uma fonte. A primeira oferta foi de 7,075 bilhões, com duas parcelas de 400 milhões vinculadas a metas financeiras.

Os acionistas da Oi vão agora sentar para discutir a proposta da Altice. Na próxima semana, a pauta será levada à assembleia geral de acionistas portugueses. "Com a proposta na mesa, as negociações para a fusão ou fatiamento da TIM Brasil ganham agilidade", disse fonte a par do assunto. Os bancos Citibank e Bradesco, que assessoram a TIM, ainda não formalizaram as negociações, mas já tiveram conversas informais com o BTG, que representa a Oi (o banco de André Esteves é um dos sócios da operadora).

O BTG deve apresentar propostas que poderiam levar ao fatiamento da TIM Brasil entre Oi, Telefônica/Vivo e Claro. No entanto, uma fusão entre TIM e Oi não está descartada.

Pouco atrativa. Para analistas ouvidos pelo Estado, apesar de a Oi reduzir seu endividamento com a venda dos ativos portugueses, a companhia ainda é pouco atrativa. "Agora a empresa volta a ser uma operadora brasileira. Quando for ao Novo Mercado da BM&F Bovespa, os investidores darão desconto às ações, uma vez que a governança corporativa está comprometida", disse uma fonte. "Mas a Oi fará um bom negócio com a venda dos ativos da PT, uma vez que negociou por um valor acima do esperado pelo mercado."

Para Eduardo Tude, da consultoria Teleco, a Oi tem de promover uma ampla reestruturação após a venda desses ativos. "Nunca concordei com essa tese de a Oi ser multinacional."

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, afirmou ontem que a operação entre Oi e Altice parece boa para a operadora brasileira, que pode melhorar suas condições e liquidez. Além disso, a venda dos ativos portugueses será para investir bilhões de reais no Brasil.

Por outro lado, lembrou que o negócio deverá alimentar a tendência de mais concentração no setor. "Sempre disse que não remo nessa direção. Para o consumidor é melhor ter mais empresas. O Cade vai olhar sob o aspecto da concorrência e a Anatel avaliar aspectos regulatórios específicos do setor."

Além dos negócios portugueses, a companhia quer vender ativos na África. A empresária angolana Isabel dos Santos, que detém 75% da Africatel, é apontada como uma das potenciais compradoras.

Além disso, a empresária quer fazer uma oferta pública de ações para fica com a PT SGPS, dona de 25,6% da Oi. Em nova proposta, Isabel avaliou a companhia em 1,2 bilhão, ou 1,35 por ação. Além da fatia na Oi, a PT SGPS assumiu a dívida de 897 milhões fruto do investimento na Rioforte, holding do Grupo Espírito Santo.

Mais conteúdo sobre:
OiTIMPortugal TelecomAltice

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.