Venda de carros bate recorde e deve passar de 320 mil unidades no mês

Venda de carros bate recorde e deve passar de 320 mil unidades no mês

Às vésperas do fim do desconto do IPI, consumidores lotaram os feirões no fim de semana, garantindo a superação do recorde mensal de vendas

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2010 | 00h00

O fim da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis levou muitos consumidores às lojas e aos feirões no fim de semana e a indústria automobilística já comemora o melhor mês em vendas da história.

Amanhã, último dia do benefício que vigorou por mais de um ano, o número de licenciamentos de modelos novos deve superar a marca de 320 mil veículos. O recorde até agora foi obtido em setembro do ano passado, com 308,7 mil unidades.

Até sexta-feira, as vendas já somavam 281,4 mil unidades, incluindo caminhões e ônibus, volume 27% superior ao de todo o mês de fevereiro e quase 4% maior em relação ao de março de 2009 inteiro, segundo dados preliminares baseados nos registros de licenciamentos.

Se a média diária de vendas do mês for mantida entre ontem e amanhã, a indústria encerrará março com 320 mil a 330 mil unidades vendidas, estabelecendo um novo recorde mensal. No comércio, há quem aposte até em 350 mil unidades.

No acumulado de janeiro a março, as vendas até sexta-feira somam 715,6 mil unidades, 12,7% acima do registrado no mesmo período de 2009, confirmando também o melhor trimestre da história. Só em automóveis e comerciais leves foram vendidas 680,8 mil unidades.

Entre as três maiores fabricantes, a Fiat lidera o mercado, com 22,6% das vendas. Só no último fim de semana a Fiat vendeu 8 mil veículos nos feirões realizados em São Paulo e nas lojas de todo o País. A média dos últimos finais de semana de promoções foi de 6 mil unidades. A segunda posição no ranking segue com a General Motors, com 20,7% de participação, seguida de perto pela Volkswagen, com 20,2%.

Depois do recorde, a indústria se prepara para substancial queda nas vendas em abril, ciente de que o desempenho de março é fruto da antecipação de compra por parte dos consumidores que quiseram aproveitar o corte do IPI. Sem o benefício, os preços dos carros novos devem subir entre 3% e 4%. O repasse não deve ser imediato. Alguns lojistas, por exemplo, já preparam campanhas com o mote "aqui o IPI continua reduzido".

Para os automóveis com motor 1.0, a alíquota do IPI volta a ser de 7% em 1.º de abril e, para os modelos até 2.0, de 11%. Vários comerciais leves, como as picapes, seguem com IPI reduzido até o fim de junho.

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, confirma expectativas de queda das vendas em abril e maio, mas vê uma retomada a partir de junho. "Vai depender muito das promoções que as empresas e os concessionários farão nesse período."

Segundo ele, a projeção das montadoras é de crescimento de 9,3% nas vendas totais neste ano na comparação com 2009, atingindo 3,4 milhões de veículos. "Mantendo as condições atuais do mercado, vamos atingir esses números", diz Schneider. Como os negócios no primeiro trimestre estão quase 13% superiores aos de igual período do ano passado, há espaço para acomodação, afirma o executivo.

Primeiro zero. O recorde de vendas tem sido alimentado por uma camada de consumidores que está tendo acesso ao primeiro carro zero. Pesquisa recente feita pela empresa de varejo M. Santos com consumidores que adquiriram carros em feirões na capital de São Paulo mostra que mais de 40% deles estavam comprando carros zero-quilômetro pela primeira vez.

Mais do que o corte do IPI, as facilidades do crédito, com financiamentos de longo prazo, tem permitido a consumidores com renda mensal entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil adquirir carros zero-quilômetro. Há bancos oferecendo parcelamento em até 80 meses.

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