Divulgação/Fiat
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Venda de carros cai 31,4% no pior janeiro dos últimos quatro anos

Na comparação com o mesmo mês do ano passado, queda foi de 18,8%, e resultado de fevereiro pode ser pior

Cleide Silva, O Estado de S. Paulo

02 Fevereiro 2015 | 15h50

Atualizado às 22h22

O mês passado foi o pior janeiro em vendas de veículos dos últimos quatro anos. Foram licenciadas 253,8 mil unidades, uma queda de 18,8% em relação ao mesmo mês do ano passado e de 31,4% na comparação com dezembro. Os números incluem automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus.

O declínio nas vendas ocorreu mesmo com os pátios das concessionárias ainda lotados de carros cuja alta do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) não foi repassada ao consumidor e de várias promoções de lojistas, com descontos e taxa zero para financiamento.

“Foi um escorregão pesado e fevereiro tende a ser ainda pior”, diz um executivo do setor que não quer ser identificado. Além do feriado do carnaval, os juros para financiamento estão mais altos e o mercado começa a absorver as medidas de ajuste anunciadas pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

Sem perspectivas de melhora no mercado, montadoras anunciaram novas medidas para reduzir a produção neste início de ano, pouco tempo depois das férias estendidas de fim de ano.

A Renault abriu um programa de demissão voluntária (PDV) na fábrica de São José dos Pinhais (PR) e a MAN Latin America negocia com os trabalhadores de Resende (RJ) novo período de férias coletivas de 10 a 20 dias após o carnaval.

A General Motors vai parar toda a produção da fábrica de São Caetano do Sul (SP) durante a semana inteira do carnaval. Outras fabricantes ainda avaliam medidas de corte de produção.

Estoques. Segundo a indústria, entre os 351 mil veículos que estavam no estoque de fábricas e revendas na virada de dezembro para janeiro, cerca de 211 mil eram de modelos que tiverem o IPI elevado, mas cujo repasse ao preço final não ocorreu.

Foram licenciados em janeiro 253,8 mil veículos, ante 312,6 mil em igual mês de 2014 e 370 mil em dezembro, mês em que houve corrida às lojas por consumidores que queriam escapar da alta do IPI. Para modelos 1.0, a alíquota do imposto passou de 3% para 7%. Para aqueles até 2.0, a alta foi de 9% para 11% nas versões flex e de 11% para 13% nas versões a gasolina.

Não houve o repasse do IPI nem mesmo para modelos que foram faturados em janeiro já com as novas alíquotas. “A maioria dos lojistas deu descontos que compensavam essa alta”, diz Luiz Romero Farias, da Blumare Veículos, rede de revendas Fiat em Maceió (AL). 

Farias também avalia que este mês “será ainda mais lento” em vendas. O grupo Amazon, da marca Volkswagen, ainda tem cerca de 40% dos estoques em modelos com preços antigos, diz o diretor Marcos Leite.

Somente as vendas de automóveis e comerciais leves somaram 244 mil unidades em janeiro, 18,6% a menos ante um ano atrás e 31% abaixo do resultado de dezembro, segundo informações do mercado com base em dados do Renavam.

A Fiat mantém a liderança nas vendas, com 20,4%de participação, seguida por General Motors, com 19,2% e Volkswagen, com 16,2%. A Ford ficou na quarta posição, com 10,2%. Na sequência estão Hyundai (7,2%) e Renault (6,3%).

O Fiat Palio está na frente entre os mais vendidos, com 14.430 unidades. O Chevrolet Onix ficou em 2.º (13.460) e o Volkswagen Fox em 3.° (9.120). O Gol, que em 2014 perdeu para o Palio a liderança mantida por 27 anos, caiu para a 7,ª posição em janeiro, com 7.866 unidades. 

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